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Suspeita

Gastos suspeitos colocam em xeque a gestão de Duilio Alves

Notas de valores altos levantam suspeitas; comércios ficam em locais distantes

Duilio Monteiro Alves, presidente do Corinthians, não se manifestou sobre as acusações de irregularidades nas despesas do clube. - Imagem: Reprodução | Central do Timão
Duilio Monteiro Alves, presidente do Corinthians, não se manifestou sobre as acusações de irregularidades nas despesas do clube. - Imagem: Reprodução | Central do Timão

Jair Viana Publicado em 09/05/2025, às 07h52


Uma série de notas fiscais a que a reportagem teve acesso revela gastos questionáveis realizados pela diretoria do Corinthians que comandou o clube até dezembro de 2023, tendo como presidente Duilio Monteiro Alves. Os valores, registrados em estabelecimentos comerciais de São Paulo, chamam atenção pelo montante elevado e pela falta de detalhes sobre a natureza das despesas. Entre os casos mais curiosos estão desembolsos em um restaurante e um mercado de bairro, cujas notas somam dezenas de milhares de reais em 2023.

No dia 17 de fevereiro de 2023, o PKP Bar e Restaurante LTDA, localizado na Vila Maria, emitiu uma nota fiscal de R$ 3.880,00 para o Corinthians. Oito dias depois, em 25 de fevereiro, o mesmo estabelecimento registrou outra despesa de R$ 7.915,08, totalizando R$ 11.795,08 em menos de duas semanas. A justificativa para esses gastos não foi esclarecida pelo clube, levantando dúvidas sobre o propósito de custear serviços de um restaurante de médio porte em períodos sem jogos ou eventos públicos registrados no calendário oficial.

Outro caso envolve o Oliveira MiniMercado, situado na Rua Lagoa Mirim, 16 (Jardim Marquesa). Em outubro de 2023, o local recebeu pagamentos do Corinthians que somaram R$ 18.050,00 em apenas seis transações, com valores que variaram entre R$ 1.950,00 e R$ 7.200,00. O maior registro ocorreu em 27 de outubro, com uma nota de R$ 7.200,00 — quantia incomum para compras em um mercado de pequeno porte, conforme constatado em visita ao local. A omissão sobre a discriminação dos produtos adquiridos aumenta as suspeitas de irregularidades, já que não há explicação plausível para despesas tão altas em um estabelecimento desse perfil.

Especialistas em gestão esportiva ouvidos pela reportagem apontam que a falta de transparência na prestação de contas e a ausência de notas fiscais detalhadas dificultam o rastreamento do destino real dos recursos. “Gastos elevados em comércios locais, sem descrição clara, podem indicar desde superfaturamento até desvios camuflados”, afirma um auditor que preferiu não se identificar.

Outro lado
Procurado, Duilio Alves não respondeu às mensagens deixadas em seu aplicativo.


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