Desde a Copa América que Tite prioriza ajustes no setor ofensivo do Brasil para que o time fique mais criativo e solto com a bola nos pés. A solução pode

Redação Publicado em 10/09/2021, às 00h00 - Atualizado às 09h05
Desde a Copa América que Tite prioriza ajustes no setor ofensivo do Brasil para que o time fique mais criativo e solto com a bola nos pés. A solução pode estar em Éverton Ribeiro, melhor em campo na grande atuação no 2 a 0 sobre o Peru, que isola a Seleção Brasileira na liderança das Eliminatórias.
Éverton jogou como meia direito no 4-4-2 que Tite montou para o jogo. É o mesmo posicionamento que cumpre há anos no Flamengo. Paquetá fez a mesma função pelo lado esquerdo, e Gérson fez a dupla com Casemiro.

Brasil x Peru; Eliminatórias — Foto: EFE
Foi o jeito que o meia se movimentou em campo que fez o time ficar mais criativo. Ele saía do lado direito e circulava atrás da marcação do Peru, nas costas do meio-campo, como você vê na imagem. Assim, se posicionava num setor completamente livre e virava uma opção de passe para Gérson e Casemiro tocarem para frente, e não mais para trás.
Com Éverton preenchendo esse espaço vazio, chamado de entrelinha, Neymar e Gabriel Barbosa podem ficar mais à frente, causando preocupação na zaga adversária, como no exemplo abaixo. É uma forma de dividir tarefas com Neymar, que pode também alternar o espaço que preenche: fica mais ao lado e preocupa o lateral, busca a bola e tenta surpreender o volante, e por aí vai.

Éverton Ribeiro saía do lado e se aproximava dos volantes — Foto: Reprodução
É necessário reconhecer que Tite vem buscando, há meses, esse jogador. Tentou Firmino mais à frente nos jogos antes da Copa América e não funcionou. Apostou em Gabriel Barbosa, que não rendeu. Lucas Paquetá ganhou a vaga, foi bem na semifinal e muito mal na final contra a Argentina.
Éverton Ribeiro, que entrou bem no jogo contra o Peru na Copa América, é quem parece ganhar a vaga. É ele quem melhor fez o que Tite chama de “link”, quem melhor se entrosou com Neymar. Ao preencher setores vazios, Éverton não apenas “chama” o jogo e cria uma opção de passe: ele ajuda a criar espaço lá na frente para Neymar e Gabriel terem menos marcação (e apanharem menos).
Toda vez que busca uma zona limpa, um defensor é obrigado a sair da defesa e vir marcar Éverton. Como sabe jogar de costas, ele recebe a bola e só gira quando percebe que o marcador não vai roubar a bola. Assim, sai de frente, com a bola dominada, pronto para acionar Bruno Henrique, Arrascaeta e Gabriel Barbosa…ou melhor, Neymar e Paquetá. É assim que começa o segundo gol do Brasil no jogo.
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Éverton ajuda a criar espaço ao ocupar o setor entrelinhas — Foto: Reprodução
Após a exibição ruim contra o Chile, uma das críticas mais contundentes ao time foi que os jogadores tinham cumprido um papel muito “tático” no jogo. De fato, o Chile soube vencer a pressão alta de Neymar, Paquetá e Gabigol e ficou mais com a bola no primeiro tempo. Na segunda etapa, Tite corrigiu com Éverton Ribeiro e Gérson numa postura mais avançada que foi responsável pela melhora do jogo e a jogada do gol.
Cerveja Tática analisa mudanças feitas por Tite no jogo contra o Chile
Acontece que o motivo do Brasil ter jogado mal contra o Chile não foi o excesso de papel tático. Foi a falta de dinamismo com a posse de bola. Tanto que Éverton Ribeiro foi perfeito ao cumprir o papel tático de fechar o lado direito sem a bola contra o Peru e teve dinamismo, movimentação…liberdade, como normalmente se fala, para tornar a seleção mais criativa.
Exemplo maior não há do que lance do primeiro gol.
Tudo começa numa roubada de bola de Neymar. Quando Paquetá ganha de cabeça, é possível ver a Seleção organizada na defesa no 4-4-2 que Tite montou no jogo. Veja que Éverton Ribeiro está fechando o setor esquerdo, próximo de Gérson e Casemiro nessa linha de quatro meiocampistas atrás dos atacantes.

Éverton Ribeiro cumpriu função tática e mesmo assim jogou bem. Papel tático não prende jogador. — Foto: Reprodução
Neymar rouba a bola, faz uma jogada individual, e 20 segundos depois, Éverton aparece de surpresa na área para abrir o placar. Nesse tempo, ele percorreu quase 70 metros, numa linha que não foi reta, e chegou quase que na mesma altura de Gabriel. Isso se chama dinamismo.

Éverton aparece de surpresa na área — Foto: Reprodução
Dinamismo foi o que faltou para Gabriel Barbosa contra o Chile, que esteve longe de jogar como ponta. Foi o que faltou também na final da Copa América, em especial para Lucas Paquetá. Dinamismo é movimento, é percepção do jogo e tomadas rápidas de decisão. É o que permite um jogador cumprir o papel tático na defesa e no ataque. Quem pensa mais rápido ocupa os melhores espaços em campo. Tempo é espaço, não só na física: no futebol também.
Ainda é cedo para dizer que ele é titular: em ano irregular no Flamengo, tem apenas um gol e muito se falava em banco antes da chegada de Renato Gaúcho. No segundo tempo contra o Chile, não manteve o ritmo e sofreu com a marcação mais apertada. O meia ideal desse lado direito precisa ter o mesmo dinamismo quando o time dá espaço e quando o time se fecha lá atrás.
Vaga em aberto, mas fato é que Éverton Ribeiro ajudou a Seleção a ser mais criativa. Solução que chega em boa hora para Tite “ticar” sua lista de prioridades rumo à Copa do Mundo de 2022.
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Globo Esporte

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