Diário de São Paulo
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Sede sob tensão

Conflito entre EUA e Irã reacende debate sobre possível mudança na sede da Copa

Estatuto da Fifa não prevê regra automática para transferência do torneio em caso de guerra

A classificação de EUA e Irã para o Mundial traz à tona questões sobre segurança e a condução institucional da FIFA em tempos de conflito - Imagem: Reprodução/Redes Sociais
A classificação de EUA e Irã para o Mundial traz à tona questões sobre segurança e a condução institucional da FIFA em tempos de conflito - Imagem: Reprodução/Redes Sociais

Letícia Sales Publicado em 03/03/2026, às 11h34


A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã voltou a provocar questionamentos sobre a realização da próxima Copa do Mundo. Nas redes sociais, surgiram especulações sobre uma eventual mudança de sede, mas o estatuto da FIFA não prevê regra específica que determine a transferência automática do torneio em caso de guerra envolvendo países anfitriões.

A entidade afirma que mantém neutralidade em questões políticas e religiosas, embora admita que exceções possam ocorrer quando situações afetem diretamente seus objetivos estatutários. Não há, porém, qualquer dispositivo que obrigue a alteração da sede por conta de conflitos armados.

A tensão aumentou após os Estados Unidos realizarem um ataque coordenado com Israel contra o Irã. Em resposta, forças iranianas atingiram bases norte-americanas no Qatar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Jordânia e no norte do Iraque, ampliando a instabilidade na região.

No ano passado, durante outro momento de tensão, circularam informações falsas de que o Brasil poderia receber a Copa automaticamente por ser a sede anterior do torneio. A suposta regra, no entanto, não existe. A edição atual é organizada de forma conjunta por Estados Unidos, México e Canadá — modelo inédito na história da competição.

Os Estados Unidos concentram a maior parte das partidas, com 11 estádios, enquanto o México conta com três sedes e o Canadá com duas. A divisão do torneio entre três países é vista como fator que amplia a capacidade logística, mas também insere variáveis diplomáticas em um cenário de crise internacional.

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, tem mantido relação próxima com o presidente norte-americano Donald Trump. Durante eventos recentes ligados à competição, houve encontros públicos entre os dois, o que também alimentou debates sobre a condução institucional diante do conflito.

Em campo, tanto Estados Unidos quanto Irã já estão classificados para o Mundial. A seleção norte-americana integra o Grupo D, enquanto os iranianos disputarão a fase inicial no território americano, pelo Grupo G.

Até o momento, a Fifa não sinalizou qualquer intenção de rever a organização do torneio. A definição sobre uma eventual mudança dependeria de avaliação política, diplomática e, principalmente, de condições de segurança — fatores que ainda estão em constante evolução.


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