Decisão amplia acusações contra o atacante e outros oito investigados, reabrindo debate sobre responsabilização em casos de manipulação de apostas

Lívia Gennari Publicado em 04/12/2025, às 19h15
Um dia depois de celebrar o título do Brasileirão, o atacante Bruno Henrique, do Flamengo, enfrentou um revés na Justiça. A Terceira Turma Criminal do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) decidiu, por unanimidade, receber a denúncia de estelionato apresentada pelo Ministério Público do DF, tornando o jogador réu também por esse crime — além da acusação de fraude em competições esportivas, pela qual ele já respondia.
A nova decisão derruba o que havia sido definido na primeira instância, quando o juiz decidiu não aceitar a acusação de estelionato. Na época, ele entendeu que as casas de apostas citadas no caso não tinham se manifestado oficialmente no processo e, sem uma vítima identificada, não seria possível configurar o crime.
Os desembargadores, porém, chegaram à conclusão oposta. Para o colegiado, o fato de o caso ter sido alvo de apuração da CBF e da Associação Internacional de Integridade em Apostas (Ibia) já estabelece elementos suficientes para o prosseguimento da ação penal. Foi justamente um relatório da Ibia, enviado ao Ministério Público e à Polícia Federal, que impulsionou a investigação sobre o episódio envolvendo o jogador.
Bruno Henrique é acusado de ter informado ao irmão, Wander Nunes Junior, que receberia um cartão amarelo na partida entre Flamengo e Santos, em novembro de 2023, pelo Brasileirão. De posse da informação, Wander teria apostado no cartão e repassado a dica a terceiros, conforme descreve a denúncia. Além dos dois, a cunhada do atleta, Ludymilla Araújo Lima, e outras seis pessoas também se tornam réus por estelionato.
Na mesma sessão, os desembargadores rejeitaram o pedido de fiança de R$ 2 milhões solicitado pelo MP. De acordo com o tribunal, não há indícios de risco de fuga por parte do jogador.
No âmbito esportivo, Bruno Henrique já havia sido punido apenas com multa pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), mantendo a possibilidade de atuar normalmente na reta final do campeonato e na Libertadores. Agora, porém, o processo na Justiça comum ganha um novo contorno, com a inclusão do estelionato: considerado mais grave que a fraude prevista na Lei Geral do Esporte.
O caso, que teve idas e vindas ao longo dos últimos meses, seguirá agora na segunda instância. Enquanto isso, Bruno Henrique e os demais investigados terão de responder às duas acusações em conjunto: manipulação de apostas e estelionato.
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