Ricardo Gondim perdeu cerca de dois terços dos membros da sua congregação

Manoela Cardozo Publicado em 11/10/2022, às 09h33
A Igreja Betesda de São Paulo, que antigamente era uma mega igreja voltada à classe média, agora passa por uma intensa crise financeira.
Presidida pelo pastor Ricardo Gondim que iniciou sua trajetória evangélica numa Igreja Presbiteriana e, logo em seguida, migrou para o pentecostalismo, tornando-se pastor da Assembleia de Deus. Ele trouxe a Betesda para São Paulo no ano de 1991.
Há alguns meses, o líder religioso declarou que a sua denominação se tornou inclusiva e que não considerava mais a homossexualidade como um pecado.
Além disso, ele afirmou que dará cargos na congregação aos pertencentes a comunidade LGBT e que também irá celebrar uniões entre pessoas do mesmo sexo.
“Não vamos mais somente aceitar que frequentem o nosso espaço. Daremos voz a eles, permitiremos que tenham cargos religiosos”, explicou.
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De acordo com entrevista do próprio Gondim concedida à Veja, a reação dos membros foi imediata: “Ouvi perguntas do tipo: ‘Meu filho vai aprender a ser homossexual?’, ou ‘Vão acontecer comportamentos inadequados dentro da igreja?’”.
A insatisfação dos fiéis não parou por aí e o pastor precisou lidar com a saída de dois terços dos membros.
O templo que costumava receber 2.600 pessoas por domingo, agora recebe aproximadamente 800. Para disfarçar o esvaziamento, os bancos vazios foram trocados por outros móveis.
“Rolou um ‘cancelamento’ nas redes sociais, os haters [críticos] surgiram em massa. Postavam frases como: ‘Você vai morrer e dançar com o capeta no inferno’”, esclareceu o líder.
Com a saída de muitos integrantes, a arrecadação de ofertas e dízimos também diminuiu e o pastor se viu obrigado a apelar a empréstimos bancários para pagar as despesas.
“Tivemos de fazer dívidas em bancos para pagar as contas. Passamos pela pandemia sem precisar de empréstimos, mas não pelo ‘cancelamento’. A nossa igreja depende de um milagre”, lamentou Gondim, no dia 11 de setembro, enquanto divulgava uma rifa de um Ford Ka branco, ano 2015, para ajudar na arrecadação.
“A homossexualidade não é pecado, Deus ama a todos. Tampouco seremos uma igreja só para gays: vamos fazer fóruns sobre negritude, mulheres, violência doméstica. Perdemos muitos fiéis, sim. Mas a sensação é a de que estamos fundando uma nova igreja”, finalizou o pastor.
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