Diário de São Paulo
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Morte de Luiz Carlos Barreto.

Morre Luiz Carlos Barreto, ícone do Cinema Novo e mestre do audiovisual brasileiro, aos 98 anos

Cineasta, produtor e fotógrafo marcou a história do cinema nacional com mais de 80 produções, incluindo sucessos icônicos e produções indicadas ao Oscar

Luiz Carlos Barreto deixa um legado que influenciou gerações no setor audiovisual, com uma família dedicada às artes - Imagem: Reprodução
Luiz Carlos Barreto deixa um legado que influenciou gerações no setor audiovisual, com uma família dedicada às artes - Imagem: Reprodução

Letícia Sales Publicado em 22/07/2026, às 13h13


O audiovisual brasileiro perdeu uma de suas figuras mais emblemáticas. O produtor, diretor e fotógrafo Luiz Carlos Barreto, o Barretão, faleceu na madrugada desta quarta-feira (22), aos 98 anos. Ele estava internado no Rio de Janeiro após um agravamento em seu estado de saúde, que vinha fragilizado desde março de 2024, quando sofreu uma queda durante uma viagem ao Ceará.

Nascido em Sobral (CE) em 1928, Barretão mudou-se para o Rio de Janeiro na juventude, construindo uma trajetória brilhante no jornalismo e no fotojornalismo antes de se dedicar inteiramente às telas. Na década de 1960, tornou-se peça central do movimento do Cinema Novo. Como diretor de fotografia, assinou a estética marcante de clássicos como Vidas secas (1963), de Nelson Pereira dos Santos, e Terra em transe (1967), de Glauber Rocha.

Em 1963, fundou a L.C. Barreto Produções Cinematográficas, empresa responsável por viabilizar dezenas de títulos históricos da cinematografia nacional. Ao longo de seis décadas, esteve à frente de mais de 80 produções de grande alcance popular e crítico. Entre elas destaca-se Dona Flor e seus dois maridos (1976), dirigido por seu filho Bruno Barreto, que levou quase 11 milhões de espectadores às salas de cinema. A produtora também alcançou projeção internacional ao assinar longas indicados ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, como O quatrilho (1995), de Fábio Barreto, e O que é isso, companheiro? (1997), de Bruno Barreto.

A trajetória pessoal e profissional de Barretão sempre esteve entrelaçada à de sua esposa, a produtora Lucy Barreto, com quem se casou em Paris em 1954. Juntos, construíram um império do cinema e formaram uma família profundamente ligada à arte. Sobre o delicado período de recuperação do marido após o acidente no Ceará, Lucy compartilhou em entrevista  ao jornal O GLOBO recente o impacto em sua rotina:

"Minha vida, como diriam os franceses, está totalmente bouleversé. De repente, eu tenho um exército dentro de casa, com técnicos de enfermagem, fisioterapeuta, cuidador. Está muito difícil, mas ele está lutando como um bom sertanejo que é. Tive a felicidade de viajar muito em minha vida. Chegou o momento de ficar quieta e cuidar do meu querido, do meu Barretinho. Todo mundo chama ele de Barretão, mas para mim, ele é Barretinho. São mais de 70 anos de mãos dadas."

Sempre ativo na defesa do setor cultural e engajado em pautas políticas de incentivo às artes, Barretão resumiu com orgulho o legado transmitido às futuras gerações em sua última entrevista:

"O vírus do cinema contaminou toda a família."

Luiz Carlos Barreto deixa a esposa, Lucy, os filhos Bruno e Paula, e nove netos, muitos dos quais seguem atuando no setor audiovisual.


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