Doze diamantes foram feitos para amigos e um especial foi criado exclusivamente para a família Gil

Gabriela Nogueira Publicado em 24/11/2025, às 16h38
Poucos meses antes de falecer, em julho, em decorrência de complicações de um câncer no intestino, Preta Gil compartilhou com pessoas próximas uma ideia que misturava afeto e simbolismo. Ela gostaria que parte de suas cinzas fosse transformada em diamantes. O pedido, que ela descrevia como algo bonito e significativo, só se concretizou depois de sua partida.
A vontade de Preta nasceu quando ela descobriu que diamantes também podem ser produzidos em laboratório. Assim que a cremação foi concluída, uma pequena fração das cinzas seguiu para um laboratório em São Paulo, responsável pela extração do carbono necessário para o processo. Esse carbono é o ponto de partida para que as gemas se formem.
Após ser isolado, o material é convertido em grafite e enviado à Índia, onde máquinas simulam condições extremas de pressão e temperatura por cerca de 60 horas. É o tempo necessário para que o carbono se cristalize e dê origem ao diamante bruto, em uma rapidez que contrasta com os milhões de anos exigidos pela natureza. Dessa etapa resultaram doze pedras destinadas a amigos que acompanharam a jornada da cantora.
Ao mesmo tempo, um laboratório em Curitiba assumiu a criação de um diamante voltado exclusivamente para a família Gil. Nesse caso, todo o processo aconteceu no Brasil, reforçando o caráter íntimo da homenagem.
O químico Dennys Alves explicou que o carbono em pó é submetido a temperaturas que podem alcançar 3000 graus Celsius e a uma pressão comparável ao peso do Monte Everest concentrado em uma minúscula área. É nesse ambiente extremo que os átomos se rearranjam e se tornam um diamante. O custo mínimo de cada peça começa em 3.800 reais, variando conforme o tamanho final.
O diamante de 0,3 quilate reservado à família já foi concluído. Os demais, feitos para amigos, também estão sendo entregues e carregam um significado especial. Anos atrás, Duh Marinho, Gominho e duas amigas tatuaram um pequeno diamante no dedo como símbolo da amizade com Preta. Agora, ao receberem as gemas feitas de suas cinzas, sentem que esse laço se fortalece ainda mais.
Cada joia recebe ainda uma marca gravada a laser, visível apenas com lupa, registrando o nome da homenageada. Segundo o laboratório, a forma como a luz se espalha ao atravessar as pedras reforça uma mensagem simbólica: a presença de Preta continua se refletindo e se multiplicando na vida de quem ficou.
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