Nova regulamentação altera forma de contagem das exibições de filmes brasileiros e cria incentivos para sessões em horários nobres após repercussão do caso envolvendo a Cinemark e o filme “Zuzubalândia”.

Ana Beatriz Publicado em 09/05/2026, às 16h10
A Ancine atualizou as regras da cota de tela no Brasil após polêmica envolvendo a exibição do filme 'Zuzubalândia', que teve baixa audiência apesar de muitas sessões, gerando críticas sobre o cumprimento burocrático da cota.
As novas diretrizes buscam valorizar a exibição de filmes brasileiros, incentivando sessões em horários de maior público e premiando obras que permanecem mais tempo em cartaz, visando aumentar a competitividade do cinema nacional.
A mudança ocorre em um contexto onde a participação de filmes brasileiros nas sessões de cinema aumentou de 7,5% para 15,7% após a retomada da cota, mas ainda levanta debates sobre a eficácia do modelo e a liberdade de programação das redes exibidoras.
A Agência Nacional do Cinema, a Agência Nacional do Cinema, atualizou as regras da chamada “cota de tela” no Brasil após a repercussão de uma polêmica envolvendo a rede de cinemas Cinemark e a exibição do filme brasileiro “Zuzubalândia”.
A mudança foi oficializada por meio da Instrução Normativa nº 175, publicada nesta semana pela Ancine, alterando critérios da regulamentação anterior sobre a obrigatoriedade de exibição de obras nacionais nas salas de cinema do país.
A discussão ganhou força após denúncias de que sessões do longa brasileiro estariam sendo usadas apenas para cumprir exigências legais da cota de tela, mas sem público real. Segundo reportagens divulgadas nos últimos dias, o filme teria registrado mais de 17 mil sessões em 2026, mas apenas 1.882 espectadores, gerando uma média extremamente baixa de ocupação por sessão.
O caso provocou críticas de produtores, exibidores e profissionais do setor audiovisual, que acusaram a prática de distorcer o objetivo da política pública criada para fortalecer o cinema nacional.
A cota de tela é um mecanismo previsto na legislação brasileira que obriga cinemas a reservarem uma quantidade mínima de sessões para produções nacionais. O modelo existe há décadas em diversos países como forma de proteger a indústria audiovisual local da predominância de grandes produções estrangeiras, especialmente hollywoodianas.
Com a nova regulamentação, a Ancine passou a adotar mecanismos que valorizam não apenas a quantidade de sessões exibidas, mas também fatores considerados estratégicos para aumentar a competitividade dos filmes brasileiros.
Entre as mudanças anunciadas estão incentivos para sessões exibidas após as 17h, faixa considerada de maior público nos cinemas, além de benefícios para obras nacionais que permaneçam mais tempo em cartaz e para filmes premiados.
Segundo a agência, a intenção é evitar que a obrigação legal seja cumprida apenas de forma burocrática, sem impacto real de audiência. Dados do Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual apontam que, antes da retomada da cota de tela, em 2023, filmes brasileiros representavam apenas 7,5% das sessões e 3,3% do público. Após o retorno da política, a participação das produções nacionais nas sessões subiu para 15,7% em 2024 e 2025.
A polêmica também reacendeu o debate sobre o equilíbrio entre incentivo cultural e liberdade de programação das redes exibidoras. Parte do setor defende que a cota é essencial para garantir espaço ao cinema brasileiro, enquanto críticos afirmam que o modelo atual ainda permite brechas para cumprimento artificial das metas.
Até o momento, a Cinemark não comentou oficialmente as críticas envolvendo o caso “Zuzubalândia”.
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