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Douglas Garcia

PCC e Comando Vermelho já agem como terroristas. Falta ao Estado admitir

Facções criminosas exercem controle territorial, impõem medo à população e desafiam o poder público. A discussão agora é se o Brasil terá coragem de reconhecer oficialmente essa realidade.

Imagem: Reprodução
Imagem: Reprodução

Douglas Garcia Publicado em 28/05/2026, às 18h35


O debate sobre a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas ganhou destaque após articulações políticas com os Estados Unidos, levantando questões sobre a natureza e o impacto dessas facções no Brasil.

Essas organizações exercem controle territorial e impõem regras, além de realizarem ataques coordenados contra forças de segurança, o que as alinha a características típicas de grupos terroristas, afetando a segurança pública e a estabilidade regional.

Enquanto críticos alertam sobre as complicações jurídicas da classificação, defensores acreditam que o reconhecimento poderia facilitar a cooperação internacional e o combate ao crime organizado, evidenciando a urgência de enfrentar essa realidade que afeta milhões de brasileiros.

O debate sobre a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas voltou ao centro das atenções após a articulação de lideranças políticas brasileiras junto ao governo dos Estados Unidos. Embora a proposta gere controvérsia, ela levanta uma pergunta inevitável: o que falta para que essas facções sejam reconhecidas pelo que efetivamente representam?

O terrorismo não se resume a atentados com explosivos ou ações de guerra. Seu principal objetivo é espalhar medo, controlar comportamentos e impor poder por meio da violência. Sob essa ótica, as principais facções criminosas do Brasil já cumprem diversos dos requisitos associados a organizações terroristas.

Em diversas regiões do país, PCC e Comando Vermelho exercem influência que ultrapassa a simples atividade criminosa. Há controle territorial, imposição de regras próprias, cobrança de taxas ilegais, intimidação de moradores e confrontos diretos contra forças de segurança. Em muitos locais, o poder do Estado divide espaço com estruturas paralelas comandadas por criminosos.

Os ataques coordenados promovidos por facções ao longo dos últimos anos também reforçam esse argumento. Delegacias, bases policiais, agentes públicos e até serviços essenciais já foram alvos de ações planejadas com o objetivo de demonstrar força e desafiar a autoridade estatal.

Outro fator relevante é o caráter transnacional dessas organizações. O tráfico de drogas, armas e dinheiro ultrapassa fronteiras e afeta diretamente países vizinhos. O crime organizado deixou de ser um problema exclusivamente brasileiro para se tornar uma ameaça regional.

Críticos da classificação afirmam que enquadrar facções como organizações terroristas pode gerar consequências jurídicas e diplomáticas complexas. Defensores da medida argumentam que o reconhecimento abriria caminho para cooperação internacional mais intensa, ampliação de mecanismos de combate financeiro e maior pressão contra as estruturas que sustentam essas organizações.

Independentemente da definição jurídica adotada, uma realidade parece incontestável: milhões de brasileiros vivem diariamente sob a influência direta ou indireta do crime organizado. A discussão, portanto, não é apenas sobre nomenclaturas. É sobre reconhecer a dimensão de um problema que há décadas desafia governos, forças de segurança e a própria sociedade.

Enquanto o debate avança, permanece a pergunta que divide especialistas, políticos e a população: se organizações armadas controlam territórios, financiam atividades ilícitas internacionais, desafiam o Estado e espalham medo entre cidadãos, qual é exatamente a diferença entre uma facção criminosa e uma organização terrorista?


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