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O Brasil vive o auge do entretenimento — e as marcas estão no centro dessa revolução

Marcas estão migrando para eventos proprietários e festivais, criando experiências sensoriais que vão além da publicidade tradicional. - Imagem: Divulgação / Adam Rose / Netflix
Marcas estão migrando para eventos proprietários e festivais, criando experiências sensoriais que vão além da publicidade tradicional. - Imagem: Divulgação / Adam Rose / Netflix

Thiago Abreu Publicado em 06/06/2025, às 07h31


O mercado de entretenimento e mídia no Brasil está em plena expansão. Em 2024, os investimentos publicitários no país atingiram R$ 26,3 bilhões, um crescimento de 12,17% em relação ao ano anterior. No mesmo ano, o setor de eventos culturais e de entretenimento movimentou R$ 108 bilhões, consolidando-se como um dos pilares da economia criativa nacional.

A cidade de São Paulo, por exemplo, sediou mais de 5 mil eventos em 2024, gerando R$ 22,2 bilhões em movimentações financeiras e mais de R$ 1,1 bilhão em arrecadação de ISS. Para 2025, a expectativa é ainda mais robusta, com a previsão de que o setor de eventos no Brasil alcance R$ 141,1 bilhões, impulsionado por festivais, ativações de marca e experiências imersivas.

Esse boom não passou despercebido pelas marcas, que têm migrado do modelo tradicional de publicidade para investir em eventos proprietários, festivais com propósito e ativações que geram experiências reais. Um dos maiores exemplos recentes foi o The Town 2023, onde diversas marcas transformaram seus estandes em verdadeiras experiências sensoriais e interativas, indo muito além da exposição. Estúdios de gravação, pistas de dança, brindes personalizados, e até ativações com criadores de conteúdo tornaram o ambiente uma vitrine viva de branding em ação.

Outro fenômeno é o crescimento dos eventos de corrida organizados por marcas como a Track&Field. O circuito T&F Run Series é hoje o maior da América Latina no segmento, com mais de 240 etapas em 40 cidades — uma estratégia que une estilo de vida, bem-estar e branding contínuo com o público que já consome a marca fora das pistas.

Globalmente, vemos também um movimento crescente de marcas criando seus próprios festivais culturais e de conteúdo. A Netflix, por exemplo, lançou o “Tudum”, que já extrapolou os limites do digital para virar um evento físico com ativações ao vivo. A Red Bull, pioneira nesse formato, mantém há anos o Red Bull Music Festival e o Red Bull Basement como experiências próprias, unindo conteúdo, comunidade e impacto cultural.

Essas iniciativas fazem parte de uma estratégia chamada marketing de comunidade — uma abordagem que vai além da venda e busca construir espaços de interação e pertencimento. Quando uma marca cria um evento ou festival, ela convida seus consumidores a viverem seus valores na prática, criando vínculos emocionais mais profundos e duradouros.

Mais do que uma tendência, criar comunidade é hoje um diferencial competitivo. As marcas que entenderam isso já estão colhendo os frutos: mais engajamento, maior fidelização e, principalmente, relevância cultural. E o Brasil, com sua vocação natural para a experiência coletiva, é um dos terrenos mais férteis para esse novo modelo de conexão.


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