Pesquisadores informaram nesta sexta-feira (19) terem encontrado todo o crânio de Luzia, fóssil humano mais antigo do Brasil desaparecido nos escombros

Redação Publicado em 19/10/2018, às 00h00 - Atualizado às 15h27
Pesquisadores informaram nesta sexta-feira (19) terem encontrado todo o crânio de Luzia, fóssil humano mais antigo do Brasil desaparecido nos escombros do Museu Nacional, destruído por um incêndio no último dia 2 de setembro.

Pedaço da caixa onde estava originalmente o crânio atingido no incêndio — Foto: Patrícia Teixeira/G1
Os técnicos anunciaram que 80% das partes localizadas já foram identificadas. No entanto, o trabalho de montagem dos fragmentos ainda não foi iniciado. Em entrevista coletiva, a direção do Museu Nacional comemorou o achado.
“O crânio foi encontrado fragmentado. Já achamos praticamente todo o crânio e 80% dos fragmentos já foram identificados e podemos aumentar esse número”, disse Alexander Kellner, diretor do museu.
A notícia do encontro do fóssil de Luzia foi antecipada pela Globonews na manhã desta sexta-feira e os detalhes foram confirmados durante a entrevista coletiva dos técnicos e direção da instituição.

Pesquisadores podem ter encontrado pedaço do fóssil de Luzia
Segundo os técnicos, foram encontradas parte do frontal ( testa e nariz), parte lateral, ossos que são mais resistentes e o fragmento de um fêmur que também pertencia ao fóssil e estava guardado. Uma parte da caixa onde o crânio de Luiza estava também foi recuperada.

Museu Nacional foi destruído por incêndio no domingo (3) — Foto: Reuters/Ricardo Moraes
“Estamos no momento do escoramento e já podemos recuperar algumas partes do acervo. Hoje é um dia feliz, conseguimos recuperar o crânio da Luzia, dano foi menor do que esperávamos. Os pedaços foram achados há alguns dias, eles sofreram alterações, danos, mas estamos muito otimistas com o achado e tudo que ele representa. Ele estava em um local preservado onde já ficava, que era um local estratégico. Ficava dentro de uma caixa de metal dentro de um armário”, disse Claudia Rodrigues uma das integrantes da equipe.
Encontrado em Minas Gerais na década de 1970, este seria o fóssil mais antigo das Américas. Este material foi o responsável por mudar a teoria da povoação do continente americano.
A busca pelo fóssil foi realizada a partir das obras emergenciais, que são realizadas há cerca de 1 mês.
Essas intervenções, que custam R$ 9 milhões, devem ser realizadas até fevereiro de 2019. Além de Luzia, outros objetos foram encontrados no local.

Reconstituição do fóssil de Luzia feita por computador — Foto: Reprodução/TV Globo
O Museu Nacional deverá retomar suas atividades 45 dias depois do incêndio que destruiu sua sede. A Secretaria do Patrimônio da União (SPU), do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, vai ceder uma área da União para abrigar laboratórios de pesquisa e centro de visitação para estudantes.
O Museu Nacional foi destruído por um incêndio em 2 de setembro passado. A Polícia Federal investiga o caso.
O terreno localizado em São Cristóvão, na Zona Norte da cidade, tem 49,3 mil metros quadrados e fica a cerca de um quilômetro da sede do museu. A área será dividida com o Tribunal de Justiça do RJ (TJRJ) que ficará com 10 mil metros quadrados.
Esta semana, o diretor do Museu Nacional, Alexander Kellner, esteve em Brasília para um encontro com deputados federais do Rio de Janeiro. No encontro, ele pediu que fossem destinados cerca de R$ 50 milhões em emendas parlamentares para a reconstrução do prédio.
Kellner explicou que a solicitação de R$ 56 milhões são só para a fachada e que a estimativa dele para a recuperação total do museu é de R$ 300 milhões.
“Os R$ 56 milhões que pedi são apenas para recuperar a fachada, uma das principais partes históricas”, disse durante a entrevista nesta sexta no Rio.
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