Apresentação na gala do Festival da Primavera da China Central Television exibiu saltos, espadas e coreografias de alta precisão, reforçando a ambição de Pequim de liderar a robótica global.
Redação Publicado em 17/02/2026, às 12h05
Robôs humanoides executando golpes de artes marciais, empunhando espadas e realizando saltos acrobáticos foram o destaque do tradicional espetáculo televisivo do Ano Novo Lunar na China, exibido pela China Central Television (CCTV).
A apresentação integrou a gala anual do Festival da Primavera, um dos programas mais assistidos do mundo e frequentemente comparado ao Super Bowl em termos de audiência e impacto cultural. Em 2025, a transmissão alcançou 79% dos televisores ligados no país.
No palco, humanoides da Unitree Robotics protagonizaram uma longa sequência de artes marciais, incluindo a imitação do estilo conhecido como “boxe bêbado”, caracterizado por movimentos cambaleantes e quedas aparentemente descoordenadas. Após simular falhas e tombos, os robôs se levantavam com precisão milimétrica, arrancando aplausos da plateia.
Em outra parte do show, máquinas empunharam bastões e espadas em coreografias sincronizadas com crianças, demonstrando avanços em equilíbrio dinâmico, coordenação motora e resposta em tempo real.
Vitrine tecnológica em horário nobre
A gala do Festival da Primavera há décadas funciona como palco estratégico para exibir conquistas tecnológicas do país — do programa espacial a drones e, mais recentemente, inteligência artificial e robótica avançada.
Além da Unitree, robôs da Noetix Robotics participaram de um quadro de comédia ao lado de atores humanos. Já modelos da MagicLab dançaram sincronizados durante a música “We Are Made in China”, reforçando o discurso de inovação nacional.
O chatbot de inteligência artificial Doubao, desenvolvido pela ByteDance, também teve participação de destaque no espetáculo, evidenciando a integração entre IA e entretenimento.
Especialistas apontam que a presença dessas empresas em horário nobre representa mais do que marketing: trata-se de uma demonstração direta da política industrial chinesa, que aposta na robótica como setor estratégico para a próxima década.
A combinação de tradição cultural com máquinas de alta performance transforma o evento em uma vitrine global da ambição tecnológica de Pequim — e sinaliza que os robôs humanoides já começam a ocupar espaço não apenas nas fábricas, mas também no imaginário popular.