Sistema é seis vezes mais veloz que o anterior e será usado para prevenir tragédias e otimizar ações de governo e pesquisa
Gabriela Nogueira Publicado em 05/10/2025, às 13h29
O Brasil agora conta com um supercomputador de última geração que promete revolucionar as previsões meteorológicas no país. Com um investimento total de R$ 200 milhões, o novo equipamento será fundamental para antecipar desastres naturais e guiar decisões em setores cruciais como energia, agricultura e saúde.
Este supercomputador, que começou a ser testado no Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (Cptec), localizado em Cachoeira Paulista (SP), oferece uma capacidade de processamento seis vezes maior do que seu antecessor, o Tupã, que estava em operação desde 2010. O antigo sistema já apresentava sinais de obsolescência e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) havia alertado sobre os riscos de um colapso nas previsões meteorológicas devido à falta de investimento.
A nova máquina não apenas processa dados meteorológicos com uma velocidade sem precedentes — passando a gerar previsões em minutos ao invés de horas —, mas também permite uma capacidade de armazenamento 24 vezes maior. Isso possibilita a criação de modelos mais detalhados, aumentando a precisão das previsões ao ponto de determinar o momento exato em que eventos climáticos ocorrerão em regiões específicas.
O Brasil, que enfrenta cada vez mais eventos climáticos extremos, se beneficia enormemente dessa tecnologia. Por exemplo, no caso trágico de São Sebastião, onde uma intensa chuva resultou na morte de várias pessoas em 2023, os alertas emitidos pelo Cemaden foram antecipados em dois dias. Contudo, a falta de precisão sobre o momento exato e as áreas mais afetadas dificultou ações preventivas adequadas.
A estrutura do novo supercomputador permite a operação contínua e ininterrupta, realizando trilhões de cálculos por segundo. Os dados são coletados de diversas fontes — incluindo satélites, aviões comerciais e estações meteorológicas — e processados em modelos matemáticos que ajudam a prever eventos climáticos nas próximas horas, dias e até meses.
De acordo com Ivan Márcio Barbosa, coordenador de infraestrutura de dados e supercomputação do Inpe, essa evolução tecnológica já era esperada devido à capacidade técnica existente no país. No entanto, a falta de investimento impediu a implementação desse novo sistema. A modernização permitirá que as previsões não se limitem a saber se choverá ou fará sol; elas poderão identificar riscos para a população e influenciar decisões críticas em setores como agropecuária e gestão hídrica.
Além disso, o supercomputador desempenhará um papel crucial na previsão sazonal, essencial para otimizar estratégias agrícolas e gerenciar recursos energéticos em momentos críticos. Os dados gerados contribuirão para decisões mais informadas sobre quando plantar ou como administrar os reservatórios das hidrelétricas.
Outro aspecto importante é que o novo sistema também permitirá rodar modelos climáticos, que visam entender tendências a longo prazo. Em um contexto de mudanças climáticas globais, esses dados serão indispensáveis para planejar ações efetivas de mitigação e adaptação.