Lula reage à tarifa de Trump e ameaça retaliação citando Lei de Reciprocidade

Presidente brasileiro reforça soberania, rebate acusações sobre liberdade de expressão e sinaliza resposta proporcional à tarifa americana

Brasil pode adotar contramedidas econômicas após anúncio de tarifa de Trump - Imagem: Gustavo Minas

Lívia Gennari Publicado em 10/07/2025, às 12h21

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (9) que o Brasil poderá adotar medidas de retaliação contra os Estados Unidos, caso a decisão do ex-presidente americano Donald Trump de impor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros exportados aos EUA seja mantida.

Em resposta pública publicada nas redes sociais, Lula citou a Lei de Reciprocidade Econômica como instrumento legal para enfrentar ações que prejudiquem o comércio exterior brasileiro e reforçou que o país “é soberano e não aceitará ser tutelado por ninguém”.

Sancionada por Lula em abril com amplo apoio no Congresso, a Lei de Reciprocidade Econômica estabelece um respaldo jurídico que permite ao Brasil adotar medidas contra barreiras comerciais, legais ou políticas aplicadas por outros países ou blocos econômicos.

Atualmente, o Brasil segue as normas da Organização Mundial do Comércio (OMC), que impedem tarifas discriminatórias. No entanto, a nova legislação permite que o governo adote contramedidas.

Entre as medidas autorizadas pela lei estão:

Com essa lei, o Brasil ganha ferramentas legais para responder a ações como a tarifa de Trump, que pode afetar diretamente exportações brasileiras nos setores de siderurgia, agronegócio e manufaturados.

Em sua mensagem, Lula também rebateu as acusações de Trump contra o Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente americano havia afirmado que o tribunal brasileiro censura plataformas digitais americanas e desrespeita a liberdade de expressão. Lula destacou que as ações do STF têm como objetivo proteger a sociedade contra conteúdos criminosos, como discurso de ódio, racismo, pornografia infantil e desinformação, e que liberdade de expressão não pode ser confundida com licença para agredir ou disseminar violência.

“Para operar em nosso país, todas as empresas, nacionais ou estrangeiras, devem seguir a legislação brasileira”, disse o presidente, frisando que as plataformas digitais, muitas delas norte-americanas, têm resistido em retirar conteúdos ilegais sob o argumento de proteção às liberdades individuais.

O presidente brasileiro também rebateu a justificativa econômica apresentada por Trump para a criação da nova tarifa. Segundo Lula, ao contrário do que foi dito pelo republicano, os Estados Unidos têm registrado superávit comercial com o Brasil nos últimos 15 anos. Dados do próprio governo norte-americano apontam um saldo positivo de aproximadamente US$ 410 bilhões (cerca de R$ 2,2 trilhões) no comércio bilateral de bens e serviços em favor dos EUA.

“A soberania, o respeito e a defesa intransigente dos interesses do povo brasileiro são os valores que orientam a nossa relação com o mundo”, concluiu Lula.

Com a decisão de Trump e a resposta firme de Lula, a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos entra em um momento de grande tensão, que pode gerar impactos econômicos significativos para ambos os países. A resposta brasileira indica que o país está disposto a tomar as medidas necessárias para defender seus interesses.

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