Fim da exclusividade da Novo Nordisk pode ampliar oferta de medicamentos como Ozempic, mas redução de preços ainda deve demorar
Letícia Sales Publicado em 17/03/2026, às 10h38
A expiração da patente da semaglutida no Brasil, prevista para esta sexta-feira (20), marca uma mudança importante no mercado farmacêutico nacional. A partir de agora, outras empresas poderão desenvolver e comercializar medicamentos à base da substância, até então exclusiva da Novo Nordisk.
Conhecida por compor medicamentos como o Ozempic, a semaglutida ganhou popularidade no país nos últimos anos, especialmente no tratamento do diabetes tipo 2 e no controle de peso. O crescimento da demanda acompanha um cenário preocupante: mais de 60% dos brasileiros estão acima do peso e cerca de 25% já vivem com obesidade.
Apesar da abertura para concorrência, a chegada de novas opções não será imediata. Isso porque qualquer medicamento precisa passar por aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), responsável por avaliar segurança, eficácia e qualidade. Atualmente, há 14 pedidos em análise, mas o ritmo de aprovação deve ser gradual, com previsão de até três autorizações por semestre.
Entre os processos mais avançados estão os das farmacêuticas EMS e Ávita Care, embora ainda não haja definição sobre quando os produtos poderão chegar ao mercado. Além da regulação, desafios logísticos, como importação de insumos e distribuição, também podem impactar os prazos.
Outro ponto que gera expectativa é o preço. Diferentemente dos medicamentos genéricos, que têm desconto mínimo obrigatório, as futuras versões da semaglutida serão classificadas como biossimilares — categoria que não exige uma redução fixa. Na prática, especialistas estimam que os preços possam cair cerca de 20%, patamar inferior ao dos genéricos.
Com isso, mesmo com a concorrência, os valores devem continuar elevados no curto prazo. Ainda assim, a tendência é que a disputa entre empresas leve a ajustes progressivos, inclusive com possíveis estratégias da própria Novo Nordisk para manter sua fatia de mercado.
Por enquanto, pacientes e médicos aguardam as primeiras aprovações para entender como a nova fase da semaglutida vai impactar o acesso ao tratamento no Brasil.