Tecnologia criada pela Faculdade de Medicina do ABC identifica biomarcadores da doença em estágios iniciais e pode ampliar o acesso ao diagnóstico no país.
Ana Beatriz Publicado em 23/03/2026, às 22h19
Pesquisadores brasileiros da Faculdade de Medicina do ABC anunciaram o desenvolvimento de uma nova tecnologia capaz de identificar o câncer de mama por meio de um exame de sangue. O teste, denominado RosalindTest, utiliza a detecção de biomarcadores presentes na corrente sanguínea e apresentou, em estudos clínicos iniciais, cerca de 95% de precisão na identificação da doença em fases iniciais.
A inovação surge como uma alternativa complementar aos métodos tradicionais de diagnóstico, como a mamografia, que ainda é considerada o principal exame para detecção precoce. Segundo os pesquisadores, o novo teste não substitui os exames de imagem, mas pode atuar como uma ferramenta estratégica para triagem e indicação precoce de casos suspeitos, especialmente em regiões com acesso limitado a equipamentos especializados.
O RosalindTest funciona a partir da análise de componentes biológicos liberados pelo organismo na presença do tumor. Esses biomarcadores são identificados por meio de tecnologia desenvolvida para reconhecer padrões associados ao câncer de mama, permitindo uma leitura rápida e menos invasiva do que exames convencionais.
Potencial para ampliar o diagnóstico precoce
Uma das principais vantagens apontadas pelos cientistas é a facilidade de aplicação do exame, que pode ser realizado por meio de uma simples coleta de sangue, sem contraindicações e sem restrições de faixa etária. Isso amplia significativamente o alcance da triagem, principalmente em populações que enfrentam dificuldades de acesso a exames de imagem.
O diagnóstico precoce é considerado um dos fatores mais importantes no tratamento do câncer de mama. Quando identificado nas fases iniciais, as chances de sucesso terapêutico aumentam consideravelmente, reduzindo a necessidade de intervenções mais agressivas e elevando as taxas de sobrevivência.
Contexto do câncer de mama no Brasil
O câncer de mama é o tipo mais comum entre mulheres no mundo e também no Brasil. Estimativas indicam que o país deve registrar cerca de 78.610 novos casos por ano entre 2026 e 2028, o que reforça a necessidade de estratégias que ampliem o acesso ao diagnóstico e ao tratamento.
Além dos desafios estruturais do sistema de saúde, especialistas destacam que muitas mulheres ainda enfrentam barreiras como demora no atendimento, falta de equipamentos e dificuldades logísticas para realizar exames periódicos.
Nesse cenário, tecnologias como o RosalindTest podem contribuir para reduzir desigualdades no acesso ao diagnóstico, permitindo que mais pacientes sejam encaminhadas rapidamente para exames confirmatórios.
Próximos passos
Após os resultados positivos nos estudos iniciais, a Faculdade de Medicina do ABC pretende avançar para novas etapas de validação clínica e iniciar os trâmites necessários para a incorporação do exame no sistema de saúde, incluindo o Sistema Único de Saúde (SUS).
A adoção em larga escala ainda depende de aprovação regulatória, análises de custo-benefício e ampliação dos estudos para diferentes perfis populacionais.
Especialistas ressaltam que, mesmo com o avanço da tecnologia, o acompanhamento médico regular e a realização de exames tradicionais continuam sendo fundamentais para o diagnóstico seguro da doença.
Impacto da inovação
O desenvolvimento do RosalindTest coloca o Brasil no mapa da inovação em diagnóstico oncológico e abre caminho para soluções menos invasivas e mais acessíveis.
Se validado em larga escala, o exame pode representar um avanço significativo na detecção precoce do câncer de mama, contribuindo para salvar vidas e melhorar a eficiência dos sistemas de saúde.