Ministério da Saúde anunciou que tecnologia de longa duração será analisada pela Conitec e destacou avanços no combate à infecção pelo HIV
Letícia Sales Publicado em 28/07/2026, às 11h53
O Brasil sediou, pela primeira vez na América do Sul, a 26ª Conferência Internacional de Aids, realizada nesta segunda-feira (27). O evento reuniu especialistas, gestores e representantes de governos para debater os avanços e os desafios no enfrentamento da infecção pelo HIV.
Durante a conferência, o Ministério da Saúde anunciou que está em análise a incorporação da PrEP injetável de longa duração ao Sistema Único de Saúde (SUS). A tecnologia, aplicada a cada dois meses, teve a proposta encaminhada à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), que deve avaliar o pedido em agosto.
Ao apresentar a iniciativa, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou a importância de ampliar as alternativas de prevenção. "O Brasil quer incorporar novas tecnologias de prevenção do HIV porque elas podem ampliar as possibilidades de cuidado e oferecer alternativas para pessoas que enfrentam dificuldades de adesão ao uso diário da medicação", afirmou o ministro.
Padilha também ressaltou que a adoção de novas tecnologias depende de critérios técnicos, científicos e econômicos. "Para nós, inovação sem acesso não deveria ser chamada de inovação. Inovação sem acesso é injustiça", afirmou.
Atualmente, o SUS já oferece a PrEP oral para pessoas que não vivem com o HIV, mas que apresentam maior risco de infecção. Desde a implantação da estratégia, cerca de 356 mil pessoas iniciaram o uso da profilaxia no país. Além da PrEP, a rede pública disponibiliza preservativos, gel lubrificante, profilaxia pós-exposição (PEP), testes rápidos, autotestes, tratamento antirretroviral e acompanhamento multiprofissional.
O Ministério da Saúde também acompanha pesquisas voltadas ao desenvolvimento de medicamentos de ação prolongada, incluindo projetos conduzidos pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com instituições privadas.
Outro destaque apresentado durante o encontro foi o reconhecimento internacional conquistado pelo Brasil. Em dezembro de 2025, o país recebeu da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) a certificação pela eliminação da transmissão vertical do HIV como problema de saúde pública, tornando-se o único país continental a alcançar esse resultado.
Os dados mais recentes também apontam redução nos impactos da doença. Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil registrou 9,1 mil mortes relacionadas à aids em 2024, uma queda de 13% em comparação com o ano anterior. Além disso, a oferta de testes rápidos para HIV na rede pública dobrou nos últimos três anos, ampliando o acesso ao diagnóstico e ao início precoce do tratamento.