COLUNA

O Brasil é nossa pátria. Bem-vindos de volta para casa!

Reflexões sobre deportações e a importância de lutar pelo nosso país. - Imagem: Divulgação / The White House

Ricardo Sayeg Publicado em 27/01/2025, às 09h23

Já pensei seriamente em deixar o Brasil. O desejo de buscar novos horizontes, em lugares onde as oportunidades pareçam mais claras, já invadiu meus pensamentos.

Poderia planejar uma mudança para a França, para Paris, uma cidade que admiro profundamente, com sua incrível história e cultura. Lá estão amigos queridos, verdadeiros irmãos, como William Gilles e Irene Bouhadana, professores da prestigiada Universidade Sorbonne. Paris é mais do que um lugar encantador; é um centro de excelência, onde historicamente as mentes brilhantes se reúnem. Eu amo Paris!

Também não estaria distante da possibilidade de viver nos Estados Unidos, país que sempre respeitei por sua paixão por liberdade e progresso.

Hoje, mais próximo do que nunca desse grande país, poderia considerar a mudança com o green card por notório saber. Na prestigiosa condição de mestre, com imensa honra, pertenço à Grande Loja Maçônica de Nova York, instituição de indiscutível relevância global. Se não bastasse, nos Estados Unidos tenho amigos queridíssimos,  como Ken Klein e Lisa Black, professores da California Western School of Law em San Diego. Enfim, laços fortíssimos e poderosos me unem aos Estados Unidos.

O apelo dessas terras estrangeiras, nações de queridíssimos amigos e irmãos, repletas de promessas, é real e sedutor, todavia, ainda assim, minha pátria é o Brasil.

Não censuro aqueles que optam por buscar uma vida em outro país. Sou neto de imigrantes.

Entendo perfeitamente o propósito e a coragem que essa decisão exige. Todos têm o direito de buscar a felicidade, de encontrar um lugar onde possam viver melhor.

A imigração é, sempre, um ato de esperança. Brasileiros de todas as partes deixam nosso país em busca de oportunidades. Seja pela insegurança, pela expectativa  econômica ou por uma vida melhor etc, é compreensível que muitos considerem essa alternativa.

Entretanto, mesmo reconhecendo os desafios do Brasil, continuo acreditando que é aqui nossa pátria. O Brasil é mais do que um lugar onde vivemos; é nossa nação, nossa casa, nosso lar, berço de nossas raízes, cultura e identidade.

Essa reflexão é relevantíssima quando pensamos a propósito dos nossos irmãos brasileiros deportados dos Estados Unidos. Essas pessoas não são criminosas embora tenham entrado na marra naquele país carregando sonhos e esperanças de uma vida melhor para si e para suas famílias.

O retorno deles deve estar acompanhado por um sentimento de derrota, porém, gostaria de dizer a esses irmãos que voltar ao Brasil não é um fracasso e, sim, uma lição histórica para todos nós brasileiros.

É aqui, no Brasil, que precisamos nos unir para construir um mundo melhor. É aqui que temos o direito de ser feliz e de oferecer um futuro para nossos filhos. 

No Brasil nunca seremos tratados como foram nossos irmãos deportados, por aqui viver. Humilhados e algemados, foram submetidos a inaceitável sofrimento e constrangimento. Perderam tudo.

Convenhamos, o Brasil que é o nosso lar. Não somos um país perfeito, mas o Brasil é a nossa nação, nossa pátria. É nosso solo-mãe, onde nascemos e vivemos. 

Hannah Arendt, ao refletir sobre os apátridas e refugiados, ensinou que a nação pode ser vista como um lar que proporciona direitos e identidade, sendo essencial para a dignidade humana. 

Precisamos insistir no Brasil. Dele não podemos abrir mão. Sequer temos outra nação para onde ir. É por ele que devemos lutar e, se for o caso, defendê-lo com a própria vida.

A realidade brasileira é desafiadora. Enfrentamos problemas graves, mas somos um povo resiliente, criativo e trabalhador. Os desafios nacionais não devem ser motivos para desistir, todavia, para lutar ainda mais por um futuro melhor.

Estas deportações são um momento histórico, uma oportunidade mágica de renovarmos nosso compromisso com a pátria, aqui jamais ficaremos para trás. 

Ser patriota não significa ignorar os problemas do país ou romantizar suas dificuldades. É reconhecer os desafios e, ainda assim, escolher viver pelo Brasil.

Ortega y Gasset refletiu sobre a ideia de que nossa nação é nosso lar. É dele a famosa frase: Eu sou eu e minha circunstância, e se não a salvo, não me salvo. A construção de um Brasil mais justo, seguro e próspero depende de cada um de nós. 

Não podemos delegar essa responsabilidade apenas aos líderes políticos ou às grandes instituições. Precisamos, como cidadãos, assumir nosso papel e contribuir, de forma ativa, para as mudanças que desejamos ver.

Devemos cumprir nossa missão e conquistar os objetivos fundamentais da República de construir uma sociedade livre, justa e solidária; garantir o desenvolvimento nacional; erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; e, promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Este é o Brasil que nos é prometido pela Constituição da República.

Assim, nosso compromisso com o Brasil é, antes de tudo, um compromisso com nós mesmos e com as futuras gerações.

É aqui, em solo brasileiro, que temos a chance de construir uma grande nação. É no Brasil onde nossos desafios são oportunidades e nossos sonhos se transformam em prosperidade.

O Brasil é o nosso futuro. É onde pertencemos.

Sejam bem-vindos de volta para casa, irmãos. Que este retorno seja o início de uma nova jornada, repleta de esperança, determinação e realizações. 

Juntos, à luz do capitalismo humanista, vamos construir o Brasil que todos merecemos.

O Brasil os acolhe. Brasileiros, unidos jamais seremos vencidos!

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