Antes de julgar, é preciso entender o que prende uma mulher onde ela não deveria estar
Ap. Queila C Martines Publicado em 10/06/2026, às 08h00
A pergunta parece simples. Se está sofrendo, por que não sai? Quem nunca viveu isso acha que a resposta também é simples. Não é.
Uma mulher não fica num relacionamento abusivo por fraqueza. Ela fica porque foi, aos poucos, convencida de que aquilo é normal. Porque o amor chegou primeiro e o controle foi chegando depois, tão devagar que ela mal percebeu a troca. Porque há filhos, finanças, história, fé e um mundo inteiro construído ali dentro.
Ela fica porque tem medo. Medo do que ele fará se ela sair. Medo de não conseguir sozinha. Medo de não ser acreditada. Esse medo não é falta de coragem. É a resposta natural de alguém que aprendeu que suas escolhas têm consequências dolorosas.
Ela fica porque ainda ama, ou ama quem ele foi um dia. E esse amor não a faz fraca. Ele a faz humana. Ninguém entra num relacionamento esperando sofrer. Ela entrou acreditando numa promessa.
Ela fica porque a Igreja, muitas vezes, disse que ela devia ficar. Que deve orar mais, suportar mais, perdoar mais. E ela obedeceu. Até o dia em que percebeu que estava desaparecendo dentro de uma obediência que Deus nunca pediu.
Sair de um relacionamento abusivo não é um momento. É um processo longo, não linear, cheio de idas e vindas. Ela precisa, antes de tudo, acreditar que merece algo diferente.
A fé não foi dada para prender. Foi dada para libertar. A mulher que decide sair de onde está sendo destruída não está abandonando seus valores. Ela está honrando o maior deles: a vida que Deus lhe deu.
Vá no seu tempo. Mas vá. Busque um psicólogo, uma mentora, uma líder espiritual. Ligue 180 se precisar de proteção. Você não precisa ter forças para pedir ajuda. Pode pedir ajuda justamente porque não tem mais forças.