Não foi dramático. Não teve música de fundo. Foi silencioso, como tudo que é verdadeiro.
Queila C. Martines Publicado em 24/06/2026, às 08h00
Não foi uma grande cena. Não houve grito, ultimato ou epifania cinematográfica. Foi um dia comum, como tantos outros. Ela estava lavando a louça, ou dirigindo, ou deitada no escuro esperando o sono chegar. E algo, lá dentro, disse: chega.
Não foi raiva. Foi algo mais quieto e mais fundo do que raiva. Foi o reconhecimento silencioso de que ela havia chegado ao limite do quanto conseguia se trair.
Esse momento existe para muitas mulheres. O problema é que, quando ele chega, elas não sabem o que fazer com ele. Porque decidir se escolher não é um ato. É uma série de atos pequenos, diários, assustadores. É voltar atrás. É avançar de novo. É chorar sem saber por que. É levantar mesmo assim.
Decidir se escolher significa parar de pedir desculpas por existir. Parar de diminuir o que sente para que o outro se sinta confortável. Parar de adiar a própria vida enquanto cuida da vida de todos ao redor.
Significa olhar para si mesma com a mesma misericórdia que oferece aos outros. Dizer, talvez pela primeira vez: eu importo. O que eu sinto importa. O que eu preciso importa.
A fé tem muito a dizer sobre isso. O mesmo Deus que viu Agar no deserto quando todos a haviam esquecido, que conheceu Davi em seus lugares secretos, esse Deus vê você. Não a versão funcional que você apresenta ao mundo. Você.
E esse é o fundamento mais sólido sobre o qual uma mulher pode reconstruir a própria vida: saber que foi vista, conhecida e escolhida antes mesmo de aprender a se escolher.
Se você está nesse momento de virada, não espere se sentir pronta. Dê o primeiro passo. Busque ajuda. Ligue 180 se precisar.
Chega de sofrimentos abusivos que estão te levando a um caminho de morte. A mulher que você está se tornando vale cada passo corajoso em direção à vida.
Por Queila Cordeiro | Pastora, Teóloga e Mentora de Mulheres