Equipamento inaugurado em Cidade Tiradentes oferece moradia temporária, apoio social e capacitação para pessoas e famílias em situação de rua
Redação Publicado em 23/12/2025, às 08h00
A capital paulista passa a contar com mais uma estrutura voltada à reconstrução de trajetórias de pessoas em situação de rua. A 11ª unidade do programa Vila Reencontro fica em Cidade Tiradentes, Zona Leste, e amplia a rede municipal de acolhimento temporário ao oferecer moradia transitória associada a acompanhamento social, com foco na autonomia e na reinserção social de indivíduos e famílias.
Com 204 vagas distribuídas em 46 módulos habitacionais, o equipamento integra as políticas públicas da Prefeitura de São Paulo destinadas a criar alternativas estruturadas de moradia, aliadas a suporte contínuo para quem enfrenta rupturas sociais, econômicas ou habitacionais. A proposta é garantir condições para a reorganização da vida cotidiana e a retomada de projetos pessoais e profissionais.
Criado em dezembro de 2022, o programa Vila Reencontro consolidou-se como um modelo de acolhimento diferenciado dentro da política socioassistencial da cidade. Em três anos, foram realizados 3.370 atendimentos, com 888 saídas qualificadas registradas, que incluem acesso à moradia autônoma, reintegração familiar e inserção no mercado de trabalho. Somente em 2025, o programa contabiliza 2.662 atendimentos e 540 saídas qualificadas nas unidades já em funcionamento.
Cada módulo habitacional tem 18 metros quadrados, com capacidade para até quatro pessoas, e cinco módulos de 36 metros quadrados, destinados a famílias maiores ou com pessoas com deficiência. Todas as unidades possuem banheiro, cozinha, geladeira, fogão, mobiliário básico e espaço para preparo de alimentos, garantindo privacidade e condições adequadas para a reorganização da rotina familiar.
Além das moradias, o complexo dispõe de 13 módulos de apoio, que incluem lavanderia, cozinha e refeitório coletivo, vestiários, sala estendida, brinquedoteca, área administrativa e horta comunitária. O espaço foi planejado para promover convivência, cuidado e desenvolvimento social, respeitando a individualidade de cada núcleo familiar.
Entre as histórias de recomeço, a de Wilton Aragão, 59 anos, sintetiza a vocação do programa. Cozinheiro e cantor, ele e a esposa passaram a viver em situação de rua após não conseguirem mais arcar com o aluguel durante a pandemia. “Aqui foi um levante, então vamos nos levantar e aproveitar essa oportunidade para superar o prejuízo”, brinca.
Depois de receber apoio no Centro de Acolhida de Santana, Wilton encontrou na Vila Reencontro a chance de reconstruir a própria trajetória e voltar a planejar o futuro. Atualmente, trabalha na horta da unidade e já sonha em empreender. “Agora é trabalhar para conseguir melhorar minha vida, criar um negócio para mim, comprar um carro ou um carrinho de cachorro-quente para trabalhar.”
O atendimento vai além da oferta de moradia. Equipes técnicas realizam acompanhamento individualizado das famílias, com ações voltadas à regularização de documentos, acesso à educação e à saúde, fortalecimento de vínculos familiares e comunitários, além do apoio à inserção no mercado de trabalho.
Entre as iniciativas oferecidas está o Projeto Cozinha Escola, voltado à capacitação profissional na área de alimentação. Participantes do curso têm acesso a formação prática e orientação para oportunidades de trabalho e geração de renda. Nos últimos meses, moradores que passaram pelo projeto conseguiram colocação profissional, ampliando as possibilidades de autonomia financeira.
O encaminhamento ao programa é feito pelas equipes da rede socioassistencial do município, que avaliam o perfil, a composição familiar e as necessidades específicas de cada caso. A distribuição das vagas ocorre por meio da Central de Vagas, conforme critérios técnicos e disponibilidade.
O programa Vila Reencontro segue em expansão na capital. A previsão é que, até 2028, sejam implantadas 20 unidades em diferentes regiões da cidade. Atualmente, seis estão com obras em andamento e outras duas passam por processos de ampliação.
São Paulo conta hoje com a maior rede socioassistencial da América Latina, com mais de 1.300 serviços e cerca de 27 mil vagas de acolhimento. Desde 2022, já foram entregues unidades do programa em regiões como Santana, Mooca, Vila Maria, São Mateus, Ipiranga, Penha, Ermelino Matarazzo e Campo Limpo, além das que estão em fase de implantação.