Deslocamento à Noruega e Finlândia, com custo estimado em até R$ 300 mil por família, teria sido pago por lobista investigada; caso é analisado no âmbito da Operação Sem Desconto.
Ana Beatriz Publicado em 24/03/2026, às 10h45
A viagem do empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, à Noruega e à Finlândia em janeiro de 2025 passou a ser analisada por investigadores no contexto da Operação Sem Desconto, que apura possíveis irregularidades relacionadas ao INSS. Segundo apurações divulgadas na imprensa, o deslocamento teria sido custeado por uma lobista com ligações investigadas pela Polícia Federal.
De acordo com as informações, Lulinha viajou acompanhado da família para acompanhar o fenômeno da aurora boreal em destinos do norte da Europa. O roteiro incluiu hospedagens de alto padrão, especialmente na região da Lapônia finlandesa, conhecida por turismo de luxo durante o inverno. Estimativas apontam que o custo da viagem pode ter chegado a cerca de R$ 300 mil por família, com diárias em hotéis que podem atingir R$ 37 mil por pessoa.
A organização da viagem teria sido conduzida pela influenciadora de turismo de luxo Marina Mantega, que atua na curadoria de experiências internacionais exclusivas. Já o pagamento das despesas, segundo a apuração, teria sido realizado pela lobista Roberta Luchsinger.
As investigações apontam ainda que Roberta Luchsinger teria ligação com o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como figura central em apurações sobre esquemas envolvendo descontos indevidos em benefícios previdenciários. A Polícia Federal investiga se os recursos utilizados para custear a viagem teriam origem em atividades ilícitas relacionadas ao esquema.
Relação com investigação do INSS
O caso foi incluído no escopo da Operação Sem Desconto, que busca identificar fraudes em benefícios previdenciários, incluindo a atuação de intermediários, associações e possíveis estruturas de desvio de recursos.
Entre os pontos analisados pela Polícia Federal estão:
A apuração busca esclarecer se houve utilização de valores provenientes de atividades ilícitas para custear despesas pessoais.
Defesa nega irregularidades
A defesa de Lulinha afirma que não há qualquer relação profissional ou financeira entre o empresário e Antônio Carlos Camilo Antunes. Segundo os advogados, a viagem não tem ligação com os fatos investigados e não configura irregularidade.
Até o momento, não há acusação formal contra Lulinha no âmbito da investigação, e o caso segue em fase de apuração preliminar pelas autoridades.
Viagem de alto padrão
O roteiro turístico incluiu destinos considerados entre os mais exclusivos da Europa para observação da aurora boreal, fenômeno natural que atrai turistas de alto poder aquisitivo.
A região da Lapônia, na Finlândia, é conhecida por oferecer experiências premium, como hospedagens em hotéis de vidro com vista para o céu ártico, passeios privativos e serviços personalizados. O custo elevado dessas viagens reforça o interesse das autoridades em entender a origem dos recursos utilizados.
Investigação em andamento
A Polícia Federal segue analisando documentos, movimentações financeiras e conexões entre os envolvidos. A investigação pode avançar para outras etapas, dependendo dos elementos obtidos.
O caso se soma a uma série de apurações recentes envolvendo suspeitas de irregularidades no sistema previdenciário, ampliando o alcance das investigações e o número de pessoas sob análise.