PERSEGUIÇÃO

Trump defende Bolsonaro e critica processo judicial contra ex-presidente: “Não é culpado”

Donald Trump expressa apoio a Jair Bolsonaro, alvo de investigações por uma suposta tentativa de golpe, e critica a situação política no Brasil em suas redes sociais.

O ex-presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, durante encontro com o presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca - Imagem: Reprodução / PR / Alan Santos

William Oliveira Publicado em 07/07/2025, às 13h49

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a demonstrar apoio ao ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, alvo de investigações por envolvimento em tentativa de golpe de Estado.

Em uma publicação feita nesta segunda-feira (7), Trump afirmou que o Brasil está cometendo “uma coisa terrível” contra o ex-mandatário, e comparou a situação de Bolsonaro à sua própria experiência política.

“Tenho observado, assim como o mundo, enquanto eles não fazem nada além de persegui-lo, dia após dia, noite após noite, mês após mês, ano após ano! Ele não é culpado de nada, exceto de ter lutado pelo povo”, escreveu o republicano em suas redes sociais. Ele ainda afirmou que “conheceu Jair Bolsonaro” e o classificou como “um líder forte que realmente amava seu país e um negociador muito duro no comércio”.

Trump também declarou que a eleição de Bolsonaro foi “muito apertada” e que, atualmente, o ex-presidente “lidera nas pesquisas”. Para ele, os processos enfrentados por Bolsonaro configuram “nada mais do que um ataque a um oponente político”.

“O grande povo do Brasil não aceitará o que estão fazendo com seu ex-presidente. Estarei observando a caça às bruxas contra Jair Bolsonaro, sua família e milhares de seus apoiadores, muito de perto. O único julgamento que deveria estar acontecendo é um julgamento pelos eleitores do Brasil — isso se chama eleição. Deixem Bolsonaro em paz!”, concluiu o ex-presidente norte-americano.

Reações políticas

A postagem de Trump reverberou entre aliados de Bolsonaro. O deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), atualmente nos Estados Unidos, escreveu em tom enigmático: “Não podemos revelar mais detalhes sobre isso. O que posso dizer é que esta não será a única novidade vinda dos EUA neste próximo tempo”.

Já o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), também filho do ex-presidente, agradeceu a Trump e destacou que o ex-presidente americano está “em defesa da democracia e da liberdade de expressão”, além de elogiar o trabalho de Eduardo no exterior. Em contraponto, a ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, criticou a fala de Trump.

“Ele está muito equivocado se pensa que pode interferir no processo judicial brasileiro. O tempo em que o Brasil foi subserviente aos EUA foi durante o governo Bolsonaro, quando ele se curvava à bandeira americana. Agora, ele responde pelos crimes cometidos contra a democracia e o processo eleitoral. Não se pode falar em perseguição quando um país soberano cumpre o devido processo legal dentro do estado democrático de direito que Bolsonaro e seus aliados tentaram destruir”, afirmou a ministra.

Resposta do governo Lula

A manifestação de Trump provocou reação do Palácio do Planalto. Em nota oficial assinada por Luiz Inácio Lula da Silva, divulgada ainda nesta segunda-feira, o governo brasileiro reforçou a soberania nacional e defendeu a independência das instituições do país, sem citar diretamente Trump.

“A defesa da democracia no Brasil é uma questão que diz respeito aos brasileiros. Somos um país soberano e não aceitamos interferências ou tutelas de ninguém. Nossas instituições são sólidas e independentes. Ninguém está acima da lei, especialmente aqueles que ameaçam a liberdade e o Estado de Direito”, afirmou a nota.

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