BETS NA MIRA

Senado aprova projeto que veta publicidade de casas de apostas no Brasil

Medida inclui proibição de anúncios, patrocínios e outras ações de marketing de empresas de apostas em veículos de mídia, esportes e no ambiente digital

Explosão do mercado de bets acende alerta sobre impacto social no país - Imagem: Reprodução

Lívia Gennari Publicado em 06/02/2026, às 15h21

A Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado Federal aprovou, na última quarta-feira (4), um projeto de lei que endurece significativamente as regras para o setor de apostas esportivas no Brasil.

O texto, relatado pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF), estabelece uma série de proibições à publicidade e ao patrocínio envolvendo casas de apostas e jogos on-line, impondo restrições que, se confirmadas nas próximas etapas, poderá alterar de forma ampla a atuação do setor no cenário esportivo e midiático do país.

A iniciativa, que substitui a proposta original apresentada pelo senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), altera a Lei das Apostas Esportivas. A regra central é clara: qualquer forma de promoção, divulgação ou visibilidade das chamadas bets de cota fixa será vetada.

Apostas fora da mídia, esporte e eleições

Entre os pontos mais rígidos do projeto está a proibição total de anúncios em meios de comunicação tradicionais e digitais, como rádio, televisão, jornais, revistas, sites e redes sociais. O texto também determina que fabricantes de celulares, tablets e smart TVs não poderão pré-instalar aplicativos de apostas, uma prática considerada prejudicial pela relatoria por facilitar o acesso impulsivo a tais serviços.

O esporte, atualmente um dos principais palcos de promoção das casas de apostas, também será afetado. O projeto proíbe que clubes, federações, arenas e organizadores de eventos exibam marcas do setor em uniformes, placas, transmissões ou qualquer material visual. A vedação se estende ainda a eventos culturais e cívicos, eliminando uma fonte de financiamento que ganhou força recentemente.

Outra frente de impacto é a atuação de influenciadores e celebridades. O texto impede que personalidades usem suas plataformas para divulgar jogos on-line, restringindo uma das estratégias de marketing mais lucrativas das empresas do ramo. 

Além disso, o projeto inclui um ponto adicional sensível: a proibição de apostas relacionadas a processos eleitorais, medida que busca impedir que disputas políticas sejam tratadas como jogo de azar e evitar riscos de manipulação ou influência indevida sobre o processo democrático.

Quem desrespeitar as novas regras poderá receber desde uma simples advertência até multas que chegam a R$ 10 milhões. Em casos mais graves, a empresa pode ter suas atividades suspensas ou até perder a autorização para operar no país.

Dados revelam impacto crescente das apostas

Ao defender o relatório, Damares Alves citou dados que, segundo ela, demonstram a gravidade da situação. O volume mensal gasto por brasileiros em apostas teria saltado de R$ 20 bilhões, em 2024, para cerca de R$ 30 bilhões em 2025.

A senadora também destacou que, somente em janeiro de 2025, cerca de R$ 3,7 bilhões saíram de contas de beneficiários do Bolsa Família para plataformas de apostas ,um dado que elevou a preocupação do Senado sobre o impacto social desse mercado.

Agora, o projeto segue para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde será avaliado quanto à sua constitucionalidade. Se avançar, poderá ser votado pelo plenário do Senado antes de seguir para a Câmara dos Deputados. Caso seja aprovado nas duas Casas e sancionado pela Presidência, o Brasil adotará um dos marcos regulatórios mais restritivos do mundo em relação à promoção das apostas on-line.

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