O procurador descreve um plano aterrador que incluía a eliminação de líderes políticos, que visava garantir a permanência de Jair Bolsonaro no poder
William Oliveira Publicado em 25/03/2025, às 12h49
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, apresentou durante uma audiência no Supremo Tribunal Federal (STF) alegações contundentes sobre a existência de "planos articulados para manter Jair Bolsonaro no poder a todo custo". A declaração foi feita enquanto a Primeira Turma do STF iniciava a análise da denúncia apresentada pela PGR, que investiga as supostas tentativas de golpe após as eleições de 2022.
No relatório, Gonet destacou comportamentos suspeitos envolvendo o ex-presidente, seus ex-ministros e militares de alta patente, que, segundo ele, formaram uma organização criminosa com o objetivo de garantir a permanência de Bolsonaro no cargo, desconsiderando o resultado eleitoral.
"A denúncia retrata acontecimentos protagonizados pelo agora ex-presidente Jair Bolsonaro, que, com outros civis e militares, formou uma organização criminosa destinada a garantir sua continuidade no poder, independentemente do resultado das eleições de 2022", afirmou Gonet.
O procurador também mencionou um documento do Partido Liberal que alegava supostas fraudes nas urnas eletrônicas, argumentando que essa ação fazia parte de uma estratégia maior para desacreditar o processo eleitoral brasileiro.
Planos "assombrosos"
Gonet também citou uma nota oficial das Forças Armadas que defendia a "liberdade de expressão", sugerindo que o comunicado tinha como objetivo conferir legitimidade aos apoiadores do golpe. Para ele, essa postura visava dar respaldo aos acampamentos em várias partes do país, onde se clamava por intervenções militares ou federais — termos considerados eufemismos para uma ruptura violenta da ordem constitucional.
"Nesses acampamentos, pedia-se insistentemente uma intervenção militar ou intervenção federal, eufemismos para a ruptura pela força do regime constitucional. Vale dizer... Golpe", afirmou Gonet.
O procurador também abordou um plano denominado "Punhal Verde e Amarelo", que visava a eliminação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do vice, Geraldo Alckmin (PSB), e do ministro Alexandre de Moraes. Gonet descreveu a operação como "aterradora" e caracterizou o episódio como "assombroso".
Ele concluiu destacando: "A execução de atos de essência golpista também se reflete em outro conjunto de episódios desvendados no inquérito policial. As investigações revelaram uma operação aterradora para a execução do golpe, que admitia até mesmo a morte do presidente da República, do vice-presidente e de um ministro do Supremo Tribunal".