Parlamentar é investigado

PF marca novo depoimento de Jaques Wagner em investigação sobre Banco Master

Senador será ouvido em agosto no inquérito que apura supostas vantagens indevidas e possível atuação em favor da instituição financeira

Parlamentar é investigado por supostas vantagens indevidas ligadas ao Banco Master - Imagem: Reprodução/Ton Molina/Bloomberg

Julio Cezar Souza Publicado em 21/07/2026, às 12h29

A Polícia Federal agendou para o dia 7 de agosto um novo depoimento do senador Jaques Wagner (PT-BA), investigado no inquérito que apura supostas irregularidades envolvendo o Banco Master. Segundo informações obtidas pela coluna, a defesa do parlamentar orientou que ele exerça o direito ao silêncio durante o interrogatório.

Jaques Wagner passou a ser investigado após ser alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 18 de junho. A investigação apura um suposto esquema de fraudes bilionárias relacionado ao Banco Master e busca esclarecer a concessão de benefícios considerados irregulares a agentes públicos.

De acordo com a Polícia Federal, o senador teria recebido vantagens econômicas ao longo dos últimos anos, entre elas o uso frequente de aeronaves ligadas ao empresário Daniel Vorcaro, ingressos para eventos e a negociação de um apartamento em Salvador avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões.

Os investigadores suspeitam que o imóvel tenha sido adquirido pelo empresário Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, por meio de intermediários ligados ao grupo investigado, com o objetivo de beneficiar o parlamentar. A apuração também busca verificar se Jaques Wagner atuou em favor de interesses da instituição financeira no Congresso Nacional.

O senador nega qualquer irregularidade. Segundo sua versão, Augusto Lima adquiriu temporariamente o apartamento para viabilizar uma negociação, com o compromisso de que o imóvel fosse posteriormente recomprado para sua filha.

A investigação também cita um contrato de aproximadamente R$ 12 milhões firmado, em março, entre uma empresa da esposa do enteado de Jaques Wagner e uma instituição financeira controlada por Daniel Vorcaro.

Em relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal aponta indícios de que vantagens econômicas teriam sido destinadas ao senador por meio de familiares, pessoas próximas e empresas ligadas ao banco. Entre os elementos reunidos estão pagamentos relacionados ao apartamento e repasses para a empresa BN Financeira, vinculada à nora do parlamentar.

A decisão do ministro André Mendonça, do STF, que autorizou a operação, também mencionou mensagens extraídas do celular de Augusto Lima. Segundo a investigação, as conversas indicam que o empresário disponibilizou seu avião particular ao senador em mais de uma ocasião e custeou ingressos para um camarote durante um show da cantora Taylor Swift, em Los Angeles, nos Estados Unidos.

Após a operação, Jaques Wagner voltou a negar qualquer vínculo irregular com o Banco Master. O Partido dos Trabalhadores afirmou manter confiança na trajetória política do senador. Mesmo assim, ele deixou o cargo de líder do governo no Senado após avaliação do Palácio do Planalto de que sua permanência poderia desgastar a imagem do governo federal enquanto as investigações prosseguem.

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