Paulo Figueiredo tenta minimizar encontro de Lula com Trump e chama reunião de “grande nada”

Aliados de Bolsonaro ironizam aproximação entre Brasil e EUA enquanto o governo vê avanço em negociações comerciais

Enquanto o governo brasileiro vê oportunidades, aliados de Bolsonaro consideram o encontro irrelevante e criticam a aproximação - Imagem: Divulgação | Reprodução / Redes Sociais

Marina Milani Publicado em 27/10/2025, às 18h42

A reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizada no último domingo (27) na Malásia, continua gerando repercussões distintas nos meios políticos do Brasil e dos EUA.

Enquanto o governo brasileiro avalia que o encontro abriu caminho para um acordo comercial inédito — que pode derrubar tarifas de até 50% impostas a produtos brasileiros —, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro classificam o diálogo como irrelevante.

O influenciador político Paulo Figueiredo, próximo da família Bolsonaro, afirmou ao g1 que a reunião “foi um grande nada”. Segundo ele, fontes do Departamento de Estado americano teriam minimizado o teor das conversas. “Me disseram: ‘um grande nada, de novo’. Mas há uma negociação em curso, restrita às tarifas”, disse Figueiredo.

Apesar das críticas, o próprio Trump declarou que o encontro foi “muito bom”, e Lula afirmou estar “confiante em um bom acordo”. As conversas sobre o comércio bilateral começaram oficialmente nesta segunda-feira (28), com foco em revisar barreiras tarifárias aplicadas pelo governo americano desde 2023.

Nos bastidores, Eduardo Bolsonaro também ironizou o episódio, afirmando que a imagem de Lula ao lado de Trump representaria “um regime de exceção sendo publicamente humilhado”. O deputado escreveu em suas redes sociais que “foto com Trump seria vitória se fosse um governo alinhado à direita”, mas que, no caso de Lula, seria “símbolo de derrota e submissão”.

No Planalto, a leitura é bem diferente. Assessores próximos de Lula tratam as críticas bolsonaristas com ironia, considerando que Eduardo Bolsonaro acaba atuando como “cabo eleitoral do presidente para 2026”, ao manter o nome de Lula em evidência.

Fontes do governo acreditam que a aproximação com os Estados Unidos pode resultar em ganhos concretos para o agronegócio, indústria e exportações brasileiras, especialmente após o anúncio de que novas rodadas de negociação devem ocorrer ainda neste semestre.

Enquanto isso, a oposição tenta deslegitimar o impacto político do encontro, temendo que uma eventual reaproximação diplomática entre Brasília e Washington reduza a influência bolsonarista junto a alas conservadoras norte-americanas.

Para aliados de Trump, contudo, o movimento reforça a estratégia do republicano de fortalecer laços econômicos na América do Sul, em meio à disputa por influência global com a China.

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