Eleições 2026

"Negação da democracia", afirma Bolsonaro sobre inelegibilidade

Em entrevista, o ex-presidente reafirmou seu desejo de participar das próximas eleições e critica a falta de devido processo em seu caso

Ex-presidente ainda criticou Lula e a decisão do STF sobre seu caso - Imagem: Reprodução / Agência Brasil / Valter Campanato

William Oliveira Publicado em 24/02/2025, às 11h09

Nesta segunda-feira (24), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) expressou suas preocupações sobre sua inelegibilidade, afirmando que a impossibilidade de concorrer nas eleições de 2026 representaria uma "negação da democracia" no Brasil. A declaração surge em meio à sua situação jurídica atual, na qual o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o declarou inelegível até 2030 devido a uma reunião controversa com embaixadores realizada às vésperas das eleições de 2022, na qual questionou a integridade das urnas eletrônicas.

Recentemente denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), Bolsonaro minimizou a possibilidade de ser preso, considerando-a uma "arbitrariedade". Em entrevista à CBN Recife, ele afirmou: "Não tem motivo para prisão minha, mais uma arbitrariedade, e não tem motivo. Esperar prisão, de jeito nenhum. Alguns dizem até que estou pensando em fugir. Ora, eu estive nos Estados Unidos por três meses, eu poderia ter ficado lá, tive oferta para trabalhar por lá."

O ex-presidente destacou que retornou ao Brasil para enfrentar os desafios políticos locais e reafirmou seu desejo de participar das próximas eleições.

"Vim para cá para enfrentar isso daqui e buscar realmente o meu espaço político para 2026. Eleições em 2026 sem meu nome é negação da democracia", afirmou.

Bolsonaro também mencionou o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acusando-o de ter sido "descondenado" após sua prisão em abril de 2018. Lula foi libertado em novembro de 2019, após o Supremo Tribunal Federal (STF) rever sua jurisprudência sobre prisões após condenações em segunda instância. Em 2021, o STF anulou as provas utilizadas pela Operação Lava Jato que levaram à condenação de Lula, resultando na anulação da própria prisão.

Embora tenha enfatizado que não deseja se comparar diretamente ao atual presidente, Bolsonaro ressaltou: "Eu não quero me comparar com o que está aí agora na Presidência, porque ele foi condenado em três instâncias. Comigo é uma narrativa de golpe que estão potencializando agora, depois de não terem dado certo um montão de acusações outras no passado."

Em sua argumentação, o ex-chefe do Executivo criticou o que considera a falta de devido processo legal em seu caso e expressou preocupação com a possibilidade de ser julgado pela Primeira Turma do STF, em vez do plenário da Corte.

"Eu costumo dizer, se eu sou tão criminoso assim, porque não seguiu o devido processo legal? O meu foro não é Brasília, como o do Lula não foi, foi Curitiba. O meu não é Brasília. O meu foro também, se fosse, seria pelo plenário do Supremo, e não por uma Turma do Supremo", finalizou.
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