O ex-presidente nacional do Partido Comunista do Brasil, Renato Rabelo, morreu na manhã deste domingo (15), em São Paulo, aos 83 anos, após três anos de luta contra o câncer
William Oliveira Publicado em 15/02/2026, às 19h55
O ex-presidente nacional do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Renato Rabelo, morreu na manhã deste domingo (15), em São Paulo, após enfrentar por três anos um câncer. A informação foi confirmada pela legenda, que destacou a trajetória do dirigente como uma das mais relevantes da militância política e da defesa da democracia no país.
As cerimônias de despedida terão início na manhã de segunda-feira (16), no Palácio do Trabalhador, no bairro da Liberdade, na capital paulista. Após o velório, o corpo será cremado.
Nascido na Bahia, em 1942, José Renato Rabelo construiu uma carreira marcada pela resistência política. Durante a ditadura militar, atuou no movimento estudantil e foi vice-presidente da União Nacional dos Estudantes. Também integrou a Ação Popular Marxista-Leninista, organização que atuava na clandestinidade contra o regime.
Após a Chacina da Lapa, em 1976, Rabelo se exilou na França, retornando ao Brasil apenas com a Lei da Anistia, em 1979.
Ele assumiu a presidência nacional do PCdoB em 2001 e permaneceu no cargo por 14 anos. Durante sua gestão, o partido consolidou-se como aliado estratégico nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.
A morte do dirigente gerou ampla repercussão entre lideranças políticas. Em nota, o presidente Lula definiu Rabelo como um “companheiro querido” e destacou sua visão estratégica em momentos decisivos da política nacional, como as Diretas Já e as greves do ABC.
“A democracia brasileira perdeu hoje um de seus maiores nomes, o meu querido companheiro Renato Rabelo”, afirmou.
A deputada federal Jandira Feghali ressaltou que Rabelo foi o principal formulador político do partido, enquanto o deputado Orlando Silva destacou sua habilidade de articulação no campo da esquerda brasileira.