JUSTIÇA E DEMOCRACIA

Militares são presos por envolvimento em trama golpista; dois seguem foragidos

Decisão do STF acelera cumprimento de penas contra núcleo acusado de espalhar desinformação para desestabilizar o processo democrático

Militares condenados por participação em trama golpista são presos por ordem do STF em operação do Exército - Imagem: Reprodução / Redes Sociais

Redação Publicado em 10/04/2026, às 09h34

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O Exército Brasileiro iniciou, na manhã desta sexta-feira (10), o cumprimento de mandados de prisão contra três militares condenados por participação em uma tentativa de golpe de Estado investigada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

As prisões foram determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, após a rejeição de recursos apresentados pelas defesas dos acusados. A decisão autoriza o início imediato do cumprimento das penas.

Foram detidos o major da reserva Ângelo Denicoli, o subtenente Giancarlo Rodrigues e o tenente-coronel Guilherme Almeida. Outros dois condenados — Reginaldo Abreu e Carlos César Moretzsohn Rocha — são considerados foragidos.

Os militares integram o chamado “núcleo 4” da investigação, apontado como responsável pela disseminação de desinformação. Segundo as apurações, o grupo teria atuado de forma coordenada para espalhar notícias falsas sobre o sistema eleitoral brasileiro, com o objetivo de fragilizar a confiança pública nas urnas eletrônicas.

De acordo com a Procuradoria-Geral da República, sob comando de Paulo Gonet, os investigados promoveram ataques virtuais e campanhas coordenadas que fariam parte de um plano mais amplo de ruptura institucional.

As investigações indicam ainda que as ações do grupo teriam contribuído para mobilizar apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro nos atos antidemocráticos registrados entre o fim de 2022 e o início de 2023.

Entre os crimes pelos quais os réus foram condenados estão tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, participação em organização criminosa armada e dano ao patrimônio público.

As penas variam de 7 anos e 6 meses a 17 anos de prisão. O caso também levanta suspeitas sobre o uso indevido de estruturas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), já que alguns dos envolvidos estavam vinculados ao órgão à época dos fatos.

As autoridades seguem em busca dos foragidos, enquanto o STF reforça o entendimento de que crimes contra a democracia devem ser punidos com rigor.

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