Michelle Bolsonaro deixa comando do PL Mulher e carta reforça dúvidas sobre candidatura ao Senado

Ex primeira dama anunciou que deixará a presidência do PL Mulher para se dedicar integralmente ao marido, Jair Bolsonaro, e à filha. O conteúdo da carta foi interpretado como um forte indicativo de que sua candidatura ao Senado pelo Distrito Federal está, ao menos por enquanto, fora dos planos.

Michelle Bolsonaro anunciou sua saída da presidência do PL Mulher e afirmou que passará a dedicar se integralmente aos cuidados da família. - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Publicado em 01/07/2026, às 10h27

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A ex primeira dama Michelle Bolsonaro anunciou oficialmente que deixará a presidência nacional do PL Mulher, cargo que ocupava desde a criação do núcleo feminino do Partido Liberal. A decisão foi comunicada após uma reunião com o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, realizada na terça feira, 30 de junho.

Na carta divulgada após o encontro, Michelle afirmou que tomou a decisão depois de refletir junto com o ex presidente Jair Bolsonaro sobre o momento vivido pela família. Segundo ela, o objetivo agora será dedicar se "integralmente" aos cuidados do marido e da filha menor de idade. O destaque dado à palavra "integralmente" chamou atenção nos bastidores políticos por ser interpretado como um sinal de que ela não pretende disputar uma vaga no Senado Federal nas eleições deste ano, possibilidade que vinha sendo considerada pelo partido nos últimos meses.

A saída ocorre em um momento delicado para o grupo político ligado ao ex presidente. Nos últimos dias, vieram a público divergências entre Michelle e os filhos de Jair Bolsonaro, especialmente o senador Flávio Bolsonaro. O episódio ganhou repercussão após Michelle publicar um vídeo nas redes sociais relatando ter sido desrespeitada durante discussões envolvendo a estratégia eleitoral do PL no Ceará.

Na própria carta de despedida, Michelle faz um agradecimento especial à vereadora Priscila Costa, de Fortaleza, uma das principais aliadas dentro do PL Mulher. O gesto foi interpretado como uma demonstração de apoio à parlamentar, que defendia disputar uma vaga ao Senado pelo Ceará, mas acabou perdendo espaço após a construção de alianças políticas do partido no estado.

A crise interna levou Valdemar Costa Neto a antecipar o retorno de uma viagem ao exterior para mediar os conflitos dentro da família Bolsonaro e da própria legenda. Publicamente, dirigentes do partido classificaram o episódio como uma divergência familiar, mas a sucessão dos acontecimentos ampliou as especulações sobre os próximos passos políticos de Michelle.

Durante sua gestão à frente do PL Mulher, Michelle se tornou uma das principais lideranças femininas da direita brasileira, ampliando a presença do movimento em diferentes estados e fortalecendo sua projeção nacional. Apesar da saída da presidência do núcleo, ela não anunciou afastamento da vida pública nem do Partido Liberal, limitando se a afirmar que a prioridade será sua família neste momento.

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