Movimentações financeiras atribuídas ao Banco Master colocam novamente o empresário Daniel Vorcaro no centro das investigações. Recursos foram destinados a uma empresa ligada a uma apuração sobre suposta organização criminosa no setor de combustíveis do Rio de Janeiro.
Ana Beatriz Publicado em 11/06/2026, às 12h02
O empresário Daniel Vorcaro voltou a ser citado em investigações envolvendo o Banco Master após a identificação de repasses que somam R$ 102 milhões para uma empresa investigada por supostas ligações com um esquema de lavagem de dinheiro e organização criminosa no Estado do Rio de Janeiro.
De acordo com as informações reveladas pela imprensa nacional, os pagamentos ocorreram entre 2023 e 2025 e tiveram como destinatária a Metanoien Participações e Consultoria Ltda. O Banco Master registrou as operações como pagamentos referentes à prestação de serviços.
A empresa tem como sócia administradora Rose Evelyn Machado Coité, nome citado pelo Ministério Público Federal em investigações que apuram a existência de uma suposta estrutura de postos de combustíveis administrada por intermédio de terceiros. Segundo os investigadores, a rede seria utilizada para ocultação patrimonial e movimentações financeiras suspeitas.
As transferências surgiram no contexto das investigações da Operação Carbono Oculto, que busca identificar possíveis conexões entre organizações criminosas, o mercado de combustíveis e estruturas financeiras utilizadas para a circulação de recursos considerados suspeitos.
Embora Rose Evelyn seja apontada nas investigações como pessoa ligada ao setor, registros públicos indicam que a Metanoien não possui atividade econômica formal relacionada ao comércio de combustíveis. Na Receita Federal, a empresa aparece cadastrada para atividades de consultoria empresarial, gestão de negócios e serviços administrativos.
As apurações também identificaram semelhanças entre a Metanoien e outra empresa que manteve relações financeiras com o Banco Master, a Mídias Promotora. As duas companhias possuem características societárias semelhantes e foram alvo de atenção das autoridades em diferentes investigações. Informações divulgadas pela imprensa indicam que ambas compartilham estruturas empresariais semelhantes e mantiveram operações milionárias com a instituição financeira.
Até o momento, não há acusação formal contra Daniel Vorcaro especificamente em relação aos repasses feitos à Metanoien. A defesa do empresário informou que não comentaria o caso. Já a sócia administradora da empresa investigada também não havia apresentado manifestação pública até o fechamento desta reportagem.
O caso amplia a pressão sobre o Banco Master, que já esteve no centro de outras apurações relacionadas a operações financeiras e práticas de governança. Paralelamente, investigações conduzidas por órgãos de controle e pela Polícia Federal continuam analisando possíveis vínculos entre empresas, operadores financeiros e grupos investigados por crimes econômicos.
As autoridades buscam esclarecer se os pagamentos realizados possuem justificativa comercial compatível com os contratos firmados ou se podem estar relacionados a mecanismos de ocultação e movimentação de recursos. O processo segue em andamento e novas diligências não estão descartadas.