8 de Janeiro

Hugo Motta pede que o Parlamento mantenha atenção em temas prioritários, ignorando a "anistia"

Durante evento em homenagem a Tancredo Neves, presidente da Câmara destaca foco em saúde, educação e segurança

Durante evento em homenagem a Tancredo Neves, presidente da Câmara destaca foco em saúde, educação e segurança - Imagem: Reprodução / Mário Agra / Câmara dos Deputados

Gabriela Thier Publicado em 22/04/2025, às 15h56

Na última segunda-feira (21), durante um evento em São João del-Rei (MG) em homenagem ao ex-presidente Tancredo Neves, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, do Republicanos-PB, manifestou sua preferência por concentrar esforços em questões prioritárias como saúde, educação e segurança pública. Motta ressaltou que este é o foco necessário para o avanço do país, em vez de dedicar atenção à anistia dos presos envolvidos nos acontecimentos de 8 de janeiro.

"É nessa agenda que devemos investir nossas energias. Precisamos nos dedicar a temas que realmente representam progresso em relação a problemas significativos que enfrentamos nas áreas de saúde, educação e segurança pública", afirmou Motta. Ele solicitou que o Parlamento mantenha sua atenção voltada para essas prioridades, que são amplamente demandadas pela população neste momento.

Ao mesmo tempo, o presidente da Câmara reconheceu a pressão exercida por grupos que apoiam o ex-presidente Jair Bolsonaro e defendem a anistia. Ele mencionou estar em constante diálogo com líderes de diversos partidos e do Senado sobre essa questão polêmica. "É um tema que divide a Casa. Tenho buscado conduzir os trabalhos com serenidade e equilíbrio desde o início da nossa gestão", declarou Motta.

A pressão pela discussão da anistia tem sido uma constante no plenário desde o começo do ano. Recentemente, a oposição organizou duas manifestações significativas solicitando a votação da proposta. A primeira ocorreu em março na praia de Copacabana, reunindo cerca de 18,3 mil pessoas; já a segunda manifestação foi realizada na Avenida Paulista em abril, contando com aproximadamente 44,9 mil participantes, conforme dados do Monitor do Debate Público do Meio Digital da Universidade de São Paulo (USP).

No dia 14 deste mês, o PL protocolou um requerimento de urgência para a análise do projeto de lei referente à anistia, que contou com 262 assinaturas — cinco a mais do que o mínimo exigido. Este tipo de requerimento pode acelerar o processo legislativo ao possibilitar a votação direta no plenário se aprovado.

Atualmente, a discussão sobre a anistia tem contribuído para a desaceleração das atividades na Câmara e no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no início da gestão de Hugo Motta. Em comparação com seu antecessor Arthur Lira, os primeiros dois meses sob sua presidência resultaram em uma queda de cerca de 48% no número total de votações realizadas.

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