Senador afirma que sobretaxa sobre produtos brasileiros beneficiaria politicamente o governo federal; Brasil rebate acusações e defende manutenção do diálogo bilateral
Redação Publicado em 02/07/2026, às 15h37
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, encaminhou ao governo dos Estados Unidos um novo pedido para que seja suspensa a aplicação da tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Em documento enviado na última quarta-feira (1º), o parlamentar sustenta que a medida, caso entre em vigor antes das eleições brasileiras, poderá favorecer politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e prejudicar tanto empresas norte-americanas quanto a economia do Brasil.
No ofício, Flávio afirma que a imposição das tarifas daria ao governo brasileiro a oportunidade de transformar a retaliação comercial em um trunfo eleitoral. Segundo ele, a estratégia acabaria premiando a postura adotada pelo Executivo nas negociações com Washington, além de criar um ambiente desfavorável para relações comerciais consideradas estratégicas entre os dois países.
O senador também argumenta que a adoção das taxas às vésperas do pleito presidencial brasileiro poderia ser interpretada como uma tentativa de interferência externa no processo eleitoral. Por esse motivo, defende que qualquer decisão sobre a medida seja adiada para depois da votação, evitando, segundo ele, questionamentos sobre a influência dos Estados Unidos na disputa política brasileira.
As tarifas propostas entregariam ao atual governo brasileiro precisamente a vitória política que ele vem arquitetando, ao mesmo tempo em que prejudicariam a economia americana e os próprios brasileiros, que buscam uma relação mutuamente benéfica com os Estados Unidos”, afirmou.
Flávio Bolsonaro participou recentemente de reuniões com o presidente norte-americano Donald Trump e com o secretário de Estado, Marco Rubio, para tratar das discussões envolvendo a política tarifária. O parlamentar está entre os inscritos para participar das audiências que debaterão a sobretaxação proposta pelo governo norte-americano.
Novo tarifaço
A cobrança adicional foi sugerida após a conclusão da investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
O relatório aponta supostas práticas comerciais consideradas desleais por parte do Brasil em temas como comércio digital, sistema Pix, propriedade intelectual, tarifas, etanol, corrupção e desmatamento.
Governo brasileiro reage
Também nesta quarta-feira, o governo federal apresentou sua resposta oficial ao USTR. Em documento assinado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o Brasil rejeita as conclusões da investigação e afirma que não existem evidências de práticas discriminatórias contra empresas norte-americanas.
O texto sustenta ainda que a eventual adoção do tarifaço elevaria custos para a economia dos Estados Unidos, reduziria o espaço para negociações bilaterais e poderia comprometer o diálogo entre os dois países. O governo brasileiro também contestou as alegações envolvendo o Pix e afirmou que a discussão comercial vem sendo utilizada por autoridades norte-americanas com viés político em relação às eleições brasileiras.