Operação Fallax investiga esquema com empresas de fachada, uso de dados falsos em bancos e suspeita de ligação com organização criminosa
Ana Beatriz Publicado em 25/03/2026, às 22h03
A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (25) a Operação Fallax, que investiga um esquema de fraudes bancárias e lavagem de dinheiro com possível ligação ao crime organizado. Entre os alvos está o empresário Luiz Phillippe Gomes Rubini, ex-sócio da empresa Fictor e que, em abril de 2024, esteve na China ao lado do empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, durante visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao país.
A relação entre Rubini, Lulinha e a Fictor passou a ser analisada no contexto das investigações após a Polícia Federal identificar uma estrutura empresarial suspeita de operar fraudes financeiras em larga escala. De acordo com as apurações, o grupo utilizava empresas de fachada para movimentar recursos de origem ilícita, dificultando o rastreamento por autoridades.
Segundo a investigação, parte do esquema envolvia a atuação de funcionários de instituições financeiras, incluindo a Caixa Econômica Federal, que inseriam informações falsas em sistemas internos para permitir saques e transferências irregulares. Os valores desviados seriam posteriormente convertidos em ativos de difícil rastreabilidade, como bens de luxo e criptomoedas.
Suspeita de ligação com organização criminosa
A Polícia Federal aponta que o esquema pode ter conexão com o Comando Vermelho, uma das principais organizações criminosas do país. De acordo com documentos da investigação, integrantes da Fictor mantinham contato com Thiago Branco de Azevedo, apontado como responsável por operações de lavagem de dinheiro do grupo conhecido como “Bonde do Magrelo”, ligado à facção no interior de São Paulo.
As autoridades investigam se recursos provenientes de atividades ilícitas foram incorporados ao sistema financeiro formal por meio das empresas envolvidas, utilizando estruturas complexas para ocultação de origem.
Outros alvos e medidas da operação
Além de Rubini, a operação também teve como alvo o CEO da Fictor, Rafael Góis, que foi incluído entre os investigados. A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão para coletar documentos, dispositivos eletrônicos e registros financeiros que possam ajudar a esclarecer o funcionamento do esquema.
A Operação Fallax é considerada uma das frentes mais recentes de combate a crimes financeiros sofisticados, envolvendo a integração entre organizações criminosas e estruturas empresariais.
Relação com o Conselhão
A proximidade entre Rubini e Lulinha também trouxe à tona questionamentos sobre a indicação do empresário ao Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), conhecido como “Conselhão”, órgão consultivo ligado ao governo federal.
Segundo informações divulgadas, a relação entre os dois teria contribuído para o convite a Rubini para integrar o colegiado. No entanto, tanto Lulinha quanto a Secretaria de Relações Institucionais negam qualquer envolvimento direto na indicação ou em atividades de consultoria relacionadas à empresa investigada.
Viagem à China e contexto político
A viagem de Rubini e Lulinha à China ocorreu durante uma missão oficial do governo brasileiro, liderada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com o objetivo de fortalecer relações comerciais e institucionais entre os países.
A presença de empresários na comitiva é comum nesse tipo de agenda, mas a inclusão de nomes posteriormente ligados a investigações aumenta a atenção sobre critérios de participação e vínculos empresariais.
Investigação em andamento
A Polícia Federal segue analisando o material apreendido e não descarta novas fases da operação. O foco agora é identificar a extensão do esquema, o volume de recursos movimentados e eventuais conexões com outros grupos ou agentes.
Até o momento, não há acusação formal contra Lulinha, e seu nome aparece no caso apenas em razão da relação empresarial e da viagem realizada com um dos investigados.