Maurício Neves promove abaixo-assinado contra presidência da deputada na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher; caso também envolve denúncia contra Ratinho por fala considerada transfóbica
Letícia Sales Publicado em 16/03/2026, às 13h24
A escolha da deputada federal Erika Hilton (PSol-SP) para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados provocou reações de parlamentares e gerou novo debate político nas redes sociais.
O presidente estadual do Progressistas (PP) em São Paulo, o deputado federal Maurício Neves, criticou a escolha da parlamentar e afirmou ter iniciado um abaixo-assinado em suas redes sociais contra a decisão.
Segundo ele, a mobilização é direcionada a eleitores que discordam da nomeação da deputada para o comando do colegiado.
“Ele não. Eleger Erika Hilton [como presidente da comissão] é inacreditável, essa é para fechar o caixão. As mulheres têm desafios e uma essência que a Erika Hilton simplesmente não tem e nunca vai ter, ponto final”, declarou Maurício Neves.
A expressão “Ele não”, usada pelo deputado, faz referência à hashtag #EleNão, que ganhou notoriedade durante a eleição presidencial de 2018 em mobilizações organizadas por grupos feministas e progressistas contra a candidatura de Jair Bolsonaro.
Declaração de Ratinho também gerou repercussão
Na semana passada, a escolha de Erika Hilton para a presidência da comissão também foi comentada pelo apresentador de televisão Ratinho durante seu programa no SBT.
Ao falar sobre o tema, ele disse:
“Eu sou contra. Eu acho que deveria deixar uma mulher. Mas quero dizer que não tenho nada contra a deputada, o deputado… A deputada Erika Hilton. Elas não me fez nada, ela só fala bem, mas não tenho nada contra ela. Ela é boa de prosa.”
A declaração gerou críticas nas redes sociais, com acusações de transfobia contra o apresentador. Ratinho é pai do governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), que é apontado por aliados como possível candidato à Presidência da República no futuro.
Pedido de investigação
Após a repercussão das falas, Erika Hilton protocolou, na quinta-feira (12), uma representação no Ministério Público do Estado de São Paulo solicitando a abertura de investigação contra o apresentador.
No documento, a deputada pede a instauração de inquérito policial e responsabilização criminal pelas declarações consideradas transfóbicas. Caso haja condenação, a pena pode chegar a seis anos de prisão.
A polêmica em torno da presidência da comissão reforça o clima de disputa política e ideológica em torno da pauta de direitos das mulheres e da representatividade no Congresso Nacional.