Erika Hilton deve se tornar a primeira mulher trans a presidir a Comissão da Mulher na Câmara

Deputada do PSOL-SP será indicada para comandar o colegiado responsável por políticas de gênero e enfrentamento à violência contra mulheres; votação está prevista para a próxima semana.

Deputada deverá ser a primeira mulher trans a presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Publicado em 26/02/2026, às 08h08

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A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) deverá ser indicada para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados, tornando-se a primeira mulher trans a ocupar o cargo na história do Parlamento brasileiro. A escolha foi construída por meio de acordo entre partidos e deve ser submetida à votação do colegiado na próxima semana.

A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher é responsável por analisar projetos relacionados a políticas públicas de proteção, promoção da igualdade de gênero e enfrentamento à violência contra mulheres. Caso confirmada, a eleição de Hilton marca um momento simbólico e político relevante dentro da estrutura legislativa, ampliando a representatividade de grupos historicamente marginalizados em posições de liderança institucional.

A deputada tem sinalizado que pretende utilizar a eventual presidência para ampliar o debate sobre políticas de gênero e inserir, de forma mais central, o tema do transfeminicídio na agenda legislativa. A proposta é fortalecer o monitoramento de dados, a formulação de políticas específicas e o aprimoramento de mecanismos de proteção voltados à população trans.

Dados recentes reforçam a dimensão do problema. Segundo a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), o Brasil registrou 80 assassinatos de pessoas trans em 2025. Embora o número represente queda em relação a 2024, quando foram contabilizadas 122 mortes, o país permanece há quase duas décadas no topo do ranking mundial de homicídios dessa população, evidenciando um cenário persistente de violência estrutural.

Além da pauta de direitos de gênero, Erika Hilton também atua em temas centrais da agenda legislativa nacional. Entre suas iniciativas de maior repercussão está a proposta de emenda à Constituição que busca extinguir a escala de trabalho 6x1, discussão que mobiliza setores sindicais e empresariais e que ainda deverá avançar nas comissões temáticas da Câmara antes de eventual deliberação em plenário.

A eventual presidência de Hilton ocorre em um contexto de disputas políticas intensas sobre políticas de igualdade, direitos humanos e modelos de proteção social. A indicação, construída em acordo entre bancadas, também reflete a correlação de forças no Legislativo e a busca por maior pluralidade na condução de comissões estratégicas.

Se confirmada, a eleição da deputada representará não apenas um marco simbólico, mas também a abertura de um novo ciclo de debates sobre violência de gênero, direitos da população trans e políticas públicas voltadas à equidade dentro do Congresso Nacional.

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