Alcolumbre reage a pressão por CPMI do Banco Master: "Palanque eleitoral"

Presidente do Senado afirma que comissão serviria para disputa política e defende atuação de órgãos de controle no caso

Alcolumbre afirma que o debate tem sido contaminado por interesses políticos - Imagem: Carlos Moura/Agência Senado

Lívia Gennari Publicado em 03/06/2026, às 16h00 - Atualizado às 16h31

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), criticou na última terça-feira (2) a pressão de parlamentares para a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinada a apurar supostas irregularidades envolvendo o Banco Master. Segundo ele, o caso já está sendo investigado por órgãos competentes e a criação de uma nova comissão teria motivação política.

Durante declaração, Alcolumbre afirmou ter sido alvo de críticas de diferentes setores do Congresso por não ter realizado a leitura do requerimento que pede a abertura da CPMI. O senador argumentou que instituições como a Polícia Federal, o Ministério Público Federal, o Banco Central, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Judiciário já acompanham o caso e são responsáveis por esclarecer eventuais responsabilidades.

Para o presidente do Senado, a instalação da comissão não contribuiria para o avanço das investigações. Ele afirmou que parte dos parlamentares busca utilizar o tema como instrumento de disputa política e antecipação da corrida eleitoral. Na avaliação de Alcolumbre, o ambiente político nacional permanece marcado por confrontos entre grupos ideológicos desde o último pleito, o que, segundo ele, tem levado congressistas a priorizar a repercussão nas redes sociais.

A cobrança pela leitura do requerimento ocorreu durante a mais recente sessão do Congresso Nacional, quando integrantes tanto da base governista quanto da oposição defenderam a criação da CPMI. Alcolumbre, no entanto, recusou-se a dar andamento ao pedido e reiterou que a decisão sobre a instalação da comissão cabe à presidência da Casa.

O senador também destacou que a sessão foi convocada para tratar de pautas consideradas prioritárias para estados e municípios, entre elas a derrubada de um veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que restringia a transferência de bens, recursos e benefícios públicos a entes federativos nos meses que antecedem as eleições.

Atualmente, o Congresso acumula ao menos cinco requerimentos relacionados ao caso do Banco Master. Há um pedido de CPI na Câmara dos Deputados, três no Senado e um requerimento para criação de uma comissão mista, composta por deputados e senadores.

Paralelamente, parlamentares da oposição e da base governista acionaram o Supremo Tribunal Federal (STF) para discutir a abertura do colegiado. Caso a Corte determine a instalação da comissão, o Congresso poderá ser obrigado a cumprir a decisão. 

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