Caso Banco Master

Advogado deixa defesa de Vorcaro em meio a investigações

Saída de Warde da equipe jurídica ocorre em um dos momentos mais sensíveis do processo no STF

Daniel Vorcaro figura central da investigação da Operação Compliance Zero e alvo de medidas da Polícia Federal e do STF no caso do Banco Master.. - Imagem: Divulgação/Banco Master.

Erika Osti Publicado em 22/01/2026, às 14h41

O advogado Walfrido Warde anunciou nesta quarta-feira (21), que deixou a equipe de defesa do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, que enfrenta uma das maiores investigações de supostas fraudes financeiras do país. A mudança na defesa ocorre quando a Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, entra em uma fase mais intensa de apurações e amplia o escrutínio sobre supostas irregularidades que envolvem a emissão de títulos de crédito falsos e outros crimes financeiros. 

Warde, advogado com destaque no cenário jurídico empresarial, integrava a defesa de Vorcaro em um processo que corre no Supremo Tribunal Federal (STF). A saída foi confirmada por meio do blog da jornalista Andréa Sadi, no entanto, o advogado não respondeu às solicitações de esclarecimento sobre os motivos do desligamento.

A defesa de Vorcaro emitiu nota negando com veemência que haja qualquer negociação ou proposta de delação premiada, hipótese que ganhou força nos últimos dias após a saída de Warde, que já se manifestou publicamente contra o uso desse instrumento jurídico. Segundo os advogados, não existe tratativa formal ou informal relacionada a acordos de colaboração com as autoridades. No comunicado, a defesa reafirma a inocência de Vorcaro e diz que ele “segue exercendo plenamente seu direito de defesa, colaborando com as autoridades dentro dos limites legais e confia no esclarecimento dos fatos por meio dos instrumentos regulares do devido processo legal”.

A mudança ocorreu em um momento delicado para o empresário. No último dia 14, a Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Compliance Zero, cumprindo mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao dono do Banco Master e parceiros em São Paulo e outros estados. A investigação apura organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro. Também houve sequestro e bloqueio de bens e valores que, juntos, ultrapassam R$ 5,7 bilhões, conforme determinações judiciais expedidas pelo STF. 

O caso Banco Master ganhou grande repercussão desde que, em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição após identificar uma crise de liquidez e indícios de irregularidades financeiras. Na ocasião, Vorcaro foi preso no Aeroporto de Guarulhos enquanto tentava embarcar para o exterior, mas foi solto no mesmo mês e passou a responder à investigação em liberdade, sob uso de tornozeleira eletrônica. 

A mudança na defesa jurídica de Vorcaro ocorre em um momento em que as investigações no STF avançam, com novos elementos coletados pela Polícia Federal e fiscalização rigorosa das autoridades sobre a atuação do banco e seus executivos. Analistas e operadores do mercado observam os desdobramentos com atenção, pois o caso envolve reflexos importantes tanto no sistema financeiro quanto na confiança dos investidores e dos clientes da instituição. 

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