INVESTIGAÇÃO FINANCEIRA

Vorcaro tinha contratos para comprar empresas do pai por R$ 1, apontam documentos

Minutas encontradas em e-mails indicam opções de compra de ativos e imóveis familiares por valor simbólico; liquidante fala em possível esquema de ocultação de patrimônio

Documentos citados em investigação apontam contratos de opção de compra de empresas da família Vorcaro por R$ 1 - Imagem: Ana Paula / Agência Globo

Redação Publicado em 16/06/2026, às 14h21

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Documentos citados em processo judicial e atribuídos ao grupo ligado ao Banco Master revelam que o banqueiro Daniel Vorcaro teria mantido contratos de opção de compra para adquirir empresas controladas pelo próprio pai, Henrique Vorcaro, pelo valor simbólico de R$ 1.

Segundo informações do liquidante responsável pelo caso, as minutas foram encontradas em e-mails pessoais de Daniel Vorcaro e fazem parte de um conjunto de evidências apresentadas à Justiça norte-americana. A interpretação do liquidante é de que Henrique atuaria como um possível “laranja” em uma estrutura de controle indireto de ativos ligados ao grupo familiar.

As empresas citadas incluem a Affiance Life e a Simetria Planos, do setor de saúde. De acordo com os documentos, o banqueiro teria o direito de adquirir participações relevantes dos negócios caso optasse por executar os contratos de compra, também por valores simbólicos.

Em outro trecho apontado na investigação, pai e filho teriam firmado acordos prevendo a aquisição e posterior transferência de imóveis registrados em nome de intermediários, igualmente mediante pagamento de R$ 1. Entre os bens mencionados estão propriedades no Brasil e no exterior, incluindo uma mansão avaliada em US$ 32 milhões na Flórida, nos Estados Unidos.

O liquidante do Banco Master sustenta que essas operações não seriam isoladas, mas parte de uma estrutura mais ampla de movimentações patrimoniais. A tese apresentada é de que haveria um mecanismo de reorganização de ativos familiares e empresariais sob controle indireto do banqueiro.

Ainda segundo a acusação, empresas do setor de saúde teriam sido usadas para operações financeiras envolvendo empréstimos de cerca de R$ 170 milhões, concedidos entre 2019 e 2020 por instituições ligadas ao banco. A investigação aponta que parte desses créditos teria sido utilizada para capitalização e posterior venda das empresas.

Os documentos também citam movimentações societárias envolvendo membros da família, como a saída temporária de participação societária antes de operações estratégicas, o que, segundo o liquidante, reforçaria a tese de controle concentrado dos ativos.

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