Relatório da Polícia Civil de São Paulo cita operação barrada pelo banco como um dos principais indícios de suposto esquema de lavagem de dinheiro investigado por ligação com o PCC.
Ana Beatriz Publicado em 24/05/2026, às 15h19
A Deolane Bezerra voltou ao centro de uma investigação conduzida pela Polícia Civil de São Paulo após a divulgação de detalhes do relatório final que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital.
Segundo os investigadores, uma tentativa de saque de R$ 1 milhão em espécie realizada pela irmã da influenciadora foi determinante para que o Itaú Unibanco encerrasse a relação comercial com integrantes da família Bezerra.
De acordo com o relatório policial, o episódio ocorreu em 24 de novembro de 2023. Na ocasião, Dayanne Bezerra, irmã de Deolane, tentou sacar o valor milionário em dinheiro vivo. A operação, porém, foi bloqueada pelo banco após suspeitas relacionadas à possível prática de lavagem de dinheiro.
Ainda segundo a investigação, o Itaú considerou a movimentação incompatível com padrões considerados regulares para esse tipo de operação financeira e decidiu, posteriormente, romper relações comerciais com familiares da influenciadora.
A Polícia Civil trata o episódio como um dos principais elementos que reforçam as suspeitas sobre a existência de um esquema de ocultação e movimentação de recursos financeiros supostamente ligados ao crime organizado.
As investigações apontam possíveis conexões entre pessoas próximas à influenciadora e integrantes do PCC, facção criminosa considerada a maior organização criminosa do país. Os investigadores analisam movimentações financeiras, operações bancárias, empresas e possíveis mecanismos utilizados para circulação de dinheiro suspeito.
O caso ganhou grande repercussão nacional nos últimos meses por envolver uma das influenciadoras mais conhecidas do Brasil, com forte presença nas redes sociais e contratos publicitários milionários.
Até o momento, a defesa de Deolane Bezerra nega qualquer envolvimento com atividades ilícitas e afirma que a influenciadora não integra organizações criminosas nem participou de operações ilegais.
Especialistas em combate à lavagem de dinheiro explicam que saques elevados em espécie costumam acionar mecanismos automáticos de monitoramento dos bancos, principalmente quando existem indícios de incompatibilidade financeira ou suspeitas de movimentações atípicas.
O relatório da Polícia Civil deverá servir como base para novos desdobramentos da investigação, que segue em andamento.