Tenente-coronel acusado de matar a esposa tem aposentadoria oficializada pela Polícia Militar de SP

Réu por feminicídio, oficial segue preso e poderá perder benefícios caso seja expulso da corporação

PM Gisele Alves Santana foi encontrada morta no apartamento onde morava com o marido - Imagem: Reprodução

Lívia Gennari Publicado em 10/06/2026, às 15h21

A Polícia Militar de São Paulo oficializou nesta quarta-feira (10) a transferência para a reserva do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso preventivamente e réu sob acusação de feminicídio pela morte da policial militar Gisele Alves Santana. O decreto foi publicado pela corporação e formaliza a aposentadoria do oficial, que agora terá seus vencimentos administrados pela São Paulo Previdência (SPPrev).

A filha de Gisele, de 7 anos, fruto de um relacionamento anterior, também recebe pensão paga pela SPPrev em razão da morte da mãe. O benefício será mantido até que a criança atinja a maioridade.

O ato foi assinado pelo diretor de Inatividade e Pensão Militar, coronel Antonio Thomazelli Júnior. Com a mudança, o pagamento dos proventos, estimados em cerca de R$ 22 mil mensais, deixa de ser responsabilidade da Polícia Militar e passa a ser feito pelo instituto previdenciário estadual. O pedido de passagem para a reserva havia sido apresentado por Geraldo Neto em abril.

Apesar da aposentadoria ter sido efetivada, a manutenção do benefício integral ainda depende do desfecho dos processos aos quais o oficial responde. Segundo a PM, caso ele seja condenado pela Justiça Militar à perda da patente, a remuneração poderá ser suspensa pela SPPrev. Paralelamente, o tenente-coronel é alvo de um Conselho de Justificação, procedimento interno que pode resultar em sua exclusão definitiva da corporação.

Se houver a perda do posto e da patente, a aposentadoria militar poderá ser revista e recalculada conforme as regras do regime geral de previdência. Nesse cenário, os valores recebidos pelo oficial sofreriam redução significativa, passando a observar o teto do INSS, atualmente fixado em R$ 8.475,55.

A Polícia Militar informou ainda que a Corregedoria concluiu o Inquérito Policial Militar (IPM) e encaminhou o procedimento à Justiça. Já a Polícia Civil finalizou a investigação paralela e apontou o tenente-coronel como responsável pelos crimes de feminicídio e fraude processual. O oficial já responde judicialmente pelas duas acusações.

Relembre o caso

Gisele Alves Santana, soldado da Polícia Militar de 32 anos, foi encontrada sem vida em 18 de fevereiro no apartamento onde morava com o marido, na região do Brás, no Centro de São Paulo. Embora o caso tenha sido tratado inicialmente como suicídio, a investigação da Polícia Civil apontou que a policial foi assassinada e que houve manipulação da cena para simular que ela teria tirado a própria vida.

Geraldo Leite Rosa Neto está detido desde 18 de março no Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte de São Paulo, onde permanece à disposição da Justiça.

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