STJ mantém prisão de Buzeira em investigação sobre lavagem de dinheiro ligada ao PCC

Influenciador está detido desde outubro de 2025 após operação da PF que apura um esquema de ocultação de valores provenientes do tráfico internacional

Buzeira é investigado por suposta movimentação de valores ilícitos - Imagem: Reprodução

Redação Publicado em 17/06/2026, às 20h01

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu manter a prisão preventiva do influenciador digital Bruno Alexssander Souza Silva, conhecido como Buzeira, investigado na Operação Narco Bet, que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro relacionado ao tráfico internacional de drogas atribuído a integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).

A decisão foi tomada de forma unânime pela 5ª Turma do tribunal, que rejeitou o pedido de habeas corpus apresentado pela defesa. Os advogados do influenciador argumentaram que não existiriam elementos suficientes para vinculá-lo ao esquema criminoso e pediram a revogação da prisão ou a aplicação de medidas cautelares alternativas.

Ao analisar o caso, os ministros entenderam que a manutenção da prisão é necessária diante dos riscos apontados no processo. Segundo a decisão, a liberdade de Buzeira poderia representar uma ameaça à ordem pública e possibilitar uma eventual continuidade de práticas criminosas.

De acordo com as investigações da Polícia Federal, o influenciador teria recebido cerca de R$ 19,7 milhões de Rodrigo Morgado, apontado como um dos principais articuladores financeiros do grupo investigado. O valor teria sido transferido para uma conta ligada à empresa Buzeira Digital.

A PF afirma que Buzeira teria sido utilizado como uma figura pública para dar aparência de legalidade a recursos provenientes de atividades ilícitas, por meio de negócios relacionados a apostas eletrônicas e rifas divulgadas como promoções on-line.

Durante a operação, agentes realizaram buscas na residência do influenciador, em um condomínio de alto padrão em Igaratá, no interior de São Paulo. No imóvel, foram apreendidas armas, munições, carregadores, equipamentos de comunicação e roupas táticas. O material foi descrito pelos investigadores como um conjunto semelhante a uma estrutura de armamento organizada.

Os policiais também localizaram duas pedras brutas no local. A suspeita da investigação é de que os objetos possam ser esmeraldas avaliadas em aproximadamente R$ 1,7 bilhão, adquiridas como uma possível forma de ocultação de valores relacionados aos crimes apurados.

Segundo a PF, Rodrigo Morgado teria atuado como um operador financeiro da organização, movimentando grandes quantias por meio de contas pessoais, empresas sob seu controle, transações internacionais e conversões em criptomoedas. As autoridades apontam que ele funcionaria como uma espécie de intermediário para circulação de recursos entre investigados.

A investigação também relaciona Morgado ao veleiro Lobo IV, apreendido pela Marinha dos Estados Unidos durante uma ação no Atlântico, entre Cabo Verde e as Ilhas Canárias. A embarcação teria sido utilizada no transporte de cocaína, caso que deu origem à Operação Narco Vela e contribuiu para o avanço das investigações que resultaram na Narco Bet.

Deflagrada em outubro de 2025, a Operação Narco Bet cumpriu 11 mandados de prisão e 19 de busca e apreensão em São Paulo, Santa Catarina, Rio de Janeiro e Minas Gerais. A apuração indica que o grupo teria usado empresas de fachada, criptomoedas e operações financeiras internacionais para esconder a origem dos valores obtidos com o tráfico de drogas.

Parte do dinheiro investigado teria sido direcionada ao setor de apostas on-line, conhecido como bets, em uma tentativa de inserir os recursos no sistema financeiro com aparência de legalidade.

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