Autoridades apontam ligação entre influenciadora e empresa usada como braço financeiro do PCC
Julio Cezar Souza Publicado em 21/05/2026, às 12h13
A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi presa na manhã desta quinta-feira (21), em Barueri, na Grande São Paulo, durante a Operação Vérnix, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil. A ação investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo informações apuradas pelo portal Metrópoles, o promotor Lincoln Gakiya, integrante do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), chegou a viajar pessoalmente para Roma, na Itália, com o objetivo de localizar e prender Deolane. A influenciadora, porém, retornou ao Brasil antes da conclusão da operação internacional.
Considerado um dos principais especialistas no combate ao PCC no país, Gakiya atua há mais de duas décadas em investigações envolvendo a facção criminosa. De acordo com a Polícia Civil, Deolane e outros investigados que estavam fora do Brasil foram incluídos na lista de difusão vermelha da Interpol para facilitar a localização internacional e permitir eventuais medidas judiciais com apoio da Polícia Federal.
Além da influenciadora, outros alvos da operação estavam na Espanha e na Bolívia. A Justiça autorizou mandados de prisão preventiva, buscas e apreensões, além do bloqueio de valores milionários ligados aos investigados.
As apurações tiveram início em 2019, após agentes penitenciários encontrarem bilhetes e manuscritos com detentos da Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior paulista. O material continha referências à estrutura interna do PCC, ordens da facção e possíveis planos de ataques contra agentes públicos.
Durante a análise dos documentos, investigadores identificaram menções a uma “mulher da transportadora”, que teria auxiliado integrantes da organização criminosa no levantamento de endereços de servidores públicos.
A partir dessa pista, a investigação chegou a uma empresa de transportes localizada em Presidente Venceslau. Segundo o Ministério Público, a companhia era utilizada como fachada para movimentações financeiras ligadas ao PCC e passou a ser alvo da Operação Lado a Lado, fase anterior da investigação.
Os investigadores apontam que a transportadora apresentava crescimento patrimonial incompatível com a renda declarada e era utilizada como braço financeiro da facção criminosa. Durante as diligências, a apreensão de um celular revelou trocas de mensagens que indicariam vínculos comerciais e pessoais entre Deolane Bezerra e pessoas ligadas ao esquema.
Segundo a investigação, a análise do aparelho também apontou indícios de repasses financeiros destinados à influenciadora. A Operação Vérnix passou então a aprofundar a apuração sobre movimentações patrimoniais, empresas de fachada e circulação de recursos considerados suspeitos.
A defesa de Deolane ainda não se pronunciou oficialmente sobre as acusações apresentadas pelas autoridades.