Docente havia sido alvo de denúncias por parte dos alunos, que o acusaram de suposto assédio dentro da instituição
William Oliveira Publicado em 12/10/2024, às 11h21
A Universidade Federal do Acre (Ufac) tomou uma decisão significativa na última quarta-feira (9), ao efetuar a demissão de um professor associado ao seu Colégio de Aplicação. Este docente havia sido alvo de denúncias por parte dos alunos, que o acusaram de suposto assédio sexual dentro da instituição, um caso que ganhou notoriedade desde sua divulgação inicial em agosto.
A destituição do cargo foi oficializada pelo reitor da Ufac, Josimar Batista Ferreira, e publicada no Diário Oficial da União, marcando o encerramento de um processo administrativo que apontou "incontinência pública e conduta escandalosa" como razões determinantes para a demissão. O professor estava suspenso de suas atividades desde maio, quando as alegações vieram à tona.
Além das medidas administrativas adotadas pela universidade, os supostos incidentes estão sendo investigados criminalmente pelo Ministério Público Federal (MPF) no Acre. As investigações seguem sob sigilo.
As acusações emergiram a partir de depoimentos de oito estudantes do Colégio de Aplicação, com idades entre 14 e 17 anos. Em 6 de maio, durante uma reunião que contou com a presença de pais, professores e membros da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Acre (Adufac), os relatos foram formalmente apresentados.
A Adufac compilou essas acusações e as encaminhou ao MPF em 10 de junho. Embora a maioria dos estudantes não tenha especificado datas exatas para os incidentes relatados, dois mencionaram que tais eventos ocorreram em 2022.
Entre as denúncias, os alunos descreveram situações envolvendo comentários inapropriados sobre o corpo das alunas, toques inadequados e piadas de conotação sexual feitas pelo professor tanto dentro quanto fora do ambiente escolar. Um caso específico citado por um aluno de 17 anos envolveu uma insinuação sexual feita pelo docente relacionada a um sorvete, gerando constrangimento entre os presentes.
"Ele comprou o sorvete, passou pelos meninos e falou exatamente assim: ‘vocês, meninos, quando vão chupar um sorvete chupam na mesma bola?’. Uma colega minha estava por trás e ouviu, ele percebeu e falou ‘desculpe, não sabia que tinha uma senhorita por aqui’. Ele passou a mão no ombro dela e ela foi embora. Quando ele percebeu que não tinha mais nenhuma menina por perto, ele chegou nos meninos e falou bem assim ‘é assim que se chupa’ e deu o maior chupão na bola, um lambidão depois. Todo mundo ficou sem graça", disse o estudante.
Uma aluna também compartilhou ter reportado à administração do colégio que o professor comentou sobre seu desenvolvimento físico ser inadequado para sua idade e a instruiu a manter silêncio sobre qualquer situação desconfortável ocorrida na sala de aula. Além disso, os estudantes relataram que o professor afirmava ter uma relação amistosa com a direção da escola, o que teria desencorajado algumas denúncias.
Ainda segundo informações apuradas, este professor já havia sido mencionado em denúncias anônimas nas redes sociais em novembro de 2023, mas sem consequências efetivas à época.
Em resposta às alegações e à sua demissão, o professor negou categoricamente qualquer envolvimento em assédio sexual e afirmou ser alvo de perseguição por parte de colegas e alunos.
"Essas situações não têm nada a ver, eu nego. Não cometi assédio. O que acontece é que tem havido perseguições a pessoas no Colégio de Aplicação e eu sou uma delas. Perseguições por parte de professores e alunos. Minha vida é toda levada ao bom trabalho", declarou o ex-docente.