A vítima, de 30 anos, sofreu agressões físicas e psicológicas, além de privação de alimentos, durante dois anos de trabalho na boate
William Oliveira Publicado em 28/10/2025, às 10h15
Em uma operação policial realizada em Vista Alegre do Prata, na Serra Gaúcha, quatro mulheres foram presas sob a acusação de manter uma garota de programa em cárcere privado e submetê-la a torturas físicas e psicológicas. Entre as detidas está a proprietária de uma boate, de 45 anos, apontada como a principal responsável pelos abusos. Ela teria iniciado as agressões após afirmar ter recebido uma “mensagem espiritual” indicando que a vítima tramava contra sua vida.
De acordo com a Delegacia de Polícia de Nova Prata, responsável pela investigação, a vítima, de 30 anos, trabalhava no estabelecimento há cerca de dois anos e era vítima de agressões constantes, além de sofrer privação de alimentos e abuso psicológico diário. As acusadas — a dona da boate, sua esposa e duas funcionárias — controlavam todos os aspectos da rotina da vítima, o que resultou em grande perda de peso e múltiplas lesões corporais.
As apurações revelaram que uma das suspeitas acompanhava a vítima durante os atendimentos a clientes, impedindo qualquer tentativa de pedido de socorro. Os atos de violência teriam começado em maio deste ano, sob o pretexto de uma suposta “obrigação religiosa” usada pelas agressoras para justificar as práticas de tortura.
A situação começou a ser descoberta quando a proprietária da boate procurou a Polícia Militar alegando ter recebido uma nova “mensagem de uma entidade” que mencionava um policial. Diante da versão confusa, os agentes passaram a investigar mais a fundo, até constatar os crimes.
Em uma segunda visita ao local, a vítima confirmou as agressões e detalhou as condições brutais a que era submetida. Durante a operação policial, foram cumpridos mandados de prisão e de busca e apreensão. A Prefeitura também foi acionada para cancelar o alvará de funcionamento da boate e resgatar cães que estavam em condições precárias no imóvel.
A delegada Liliane Pasternak Kramm, responsável pelo caso, classificou a ocorrência como “um crime grave, com contornos de violência e perversidade que chocam até mesmo policiais acostumados à brutalidade”.
As quatro mulheres presas foram encaminhadas ao Presídio Estadual de Nova Prata, onde permanecem à disposição da Justiça. O inquérito policial segue em andamento e deve ser concluído nos próximos dias.
A vítima ficou internada por 14 dias e atualmente se recupera com a família, no Nordeste do Brasil.