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Polícia investiga festa com fuzis que celebrou 19 anos do TCP no Complexo de Israel

Multidão acompanhou shows em Vigário Geral enquanto homens armados exibiam fuzis para o público; traficante Peixão, foragido com 20 mandados de prisão, teria financiado e participado da celebração

Autoridades afirmam que ações são planejadas para responsabilizar narcotraficantes e garantir a segurança pública - Imagem: Reprodução

Letícia Sales Publicado em 13/07/2026, às 13h16

A Polícia Civil do Rio de Janeiro abriu investigação para apurar uma festa realizada no último sábado (11) em Vigário Geral, na Zona Norte da cidade, que reuniu uma grande multidão e contou com a presença de criminosos armados com fuzis em meio ao público.

Imagens que circulam nas redes sociais mostram homens apontando armamento de guerra para o alto enquanto atrações musicais se apresentavam em um palco montado na comunidade. O evento teria sido organizado para comemorar os 19 anos de domínio do Terceiro Comando Puro (TCP) sobre o Complexo de Israel, conjunto de comunidades formado por Vigário Geral, Parada de Lucas, Cidade Alta, Cinco Bocas e Pica-Pau, onde vivem cerca de 134 mil pessoas.

Festa lotada por horas

Os vídeos registram o local completamente tomado por participantes durante horas de celebração. Em diversas gravações, é possível ver criminosos ostentando armamento pesado em meio à plateia, sem qualquer discrição. Agora, a Polícia Civil analisa esse material para identificar os envolvidos e reconstituir as circunstâncias da organização do evento — inclusive quem bancou a estrutura montada na comunidade.

Suspeita de participação do chefe do tráfico

Uma das linhas de apuração é a possível presença de Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, também conhecido como Alvinho ou Araão, apontado como chefe do TCP no Complexo de Israel. Segundo apurado pela polícia, o traficante teria acompanhado a festa cercado por seguranças da facção.

Peixão é considerado um dos criminosos mais procurados do Rio de Janeiro. Foragido da Justiça, ele acumula atualmente 20 mandados de prisão em aberto, incluindo um por terrorismo. O traficante responde ainda por tráfico de drogas, homicídios, tortura, ocultação de cadáver, extorsão, intolerância religiosa e porte ilegal de arma de fogo. Apesar de somar 79 anotações criminais, nunca foi preso.

As investigações apontam que o próprio Peixão teria patrocinado o evento, que reuniu shows de diferentes artistas.

Artistas se apresentaram no palco da comunidade

Entre as atrações que subiram ao palco estavam o rapper MC Chefin, nome artístico de Natanael Cauã Almeida de Souza, e o grupo Tá Na Mente. Procurado, o Tá Na Mente informou, em nota, que "não tem nada a declarar".

O que dizem as autoridades

A Secretaria de Segurança afirmou que "as ações das polícias Civil e Militar são planejadas com base em critérios técnicos e investigativos, sempre com foco na responsabilização criminal dos narcotraficantes e na preservação da segurança da população". Já a Polícia Militar disse que não tinha conhecimento da realização da festa.

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