Operação Atelís cumpre mais de 70 mandados e mira quadrilha que movimentou R$ 400 milhões em esquema interestadual
Lívia Gennari Publicado em 21/05/2025, às 19h54
A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (21), a Operação Atelís, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa atuante no tráfico interestadual de drogas e na lavagem de altas quantias de dinheiro. A ação mobilizou um grande efetivo policial e se concentra em municípios dos estados de São Paulo e Mato Grosso.
Ao todo, estão sendo cumpridos 40 mandados de busca e apreensão, 17 mandados de prisão preventiva, 16 de prisão temporária e 54 ordens judiciais de bloqueio de bens e valores. Na operação, estão envolvidos cerca de 200 policiais federais, 100 policiais militares e integrantes do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (GAECO).
Até as 14h desta quarta-feira, a Polícia Federal confirmou a prisão de 29 envolvidos no esquema. Quatro suspeitos seguem foragidos.
As diligências estão sendo realizadas nas cidades de São José do Rio Preto, Mirassol, Tanabi e Ipiguá, no estado paulista, além do município de Pontes e Lacerda, no Mato Grosso. Os mandados foram expedidos pela 1ª Vara da Justiça Estadual de São José do Rio Preto (SP), que também autorizou o bloqueio de contas bancárias e apreensão de bens de alto valor.
De acordo com informações da PF, a organização criminosa possuía uma estrutura sofisticada voltada para o tráfico de drogas, utilizando principalmente o transporte terrestre. A droga era ocultada em cargas de carne transportadas por caminhões frigoríficos, com objetivo de burlar a fiscalização. A logística usada pela quadrilha era aplicada de forma bem articulada para distribuir grandes quantidades de entorpecentes entre diversos estados do país.
Esquema milionário
Durante os quatro anos de investigação, a PF calculou que o grupo movimentou cerca de R$ 400 milhões. Nesse período, operações anteriores resultaram na apreensão de mais de 2000 quilos de cocaína, aproximadamente 508 quilos de maconha, duas armas de fogo e na prisão de dez indivíduos diretamente envolvidos nas atividades ilícitas da quadrilha.
De acordo com a corporação, a fase atual da operação, realizada nesta semana, busca atingir diretamente o núcleo central da organização, com a prisão de seus principais líderes e operadores financeiros. A expectativa é que a apreensão de bens e o bloqueio de recursos financeiros comprometam o esquema, prejudicando as ações do grupo criminoso e impedindo sua continuidade.
Os investigados poderão responder pelos crimes de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa. A soma das penas podem ultrapassar 30 anos de prisão.
A Polícia Federal reforça que as investigações continuam e novas prisões ou apreensões podem ocorrer nos próximos dias, conforme o avanço da análise de documentos, dispositivos eletrônicos e dados bancários coletados durante a operação.