Operação Policial

Polícia Federal desarticula esquema de fraudes no Farmácia Popular

Os criminosos registravam vendas fictícias de medicamentos no sistema para obter dinheiro do programa

Ação conjunta da PF, Receita Federal e CGU apura prejuízo milionário ao programa. - Imagem: Reprodução/Agência Brasil.

Erika Osti Publicado em 10/02/2026, às 15h21

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A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (10) uma operação para desmontar um esquema de fraudes no programa Farmácia Popular que atuava em diferentes regiões do país. A ação, batizada de OTC – Over The Counter, foi realizada em parceria com a Receita Federal e a Controladoria-Geral da União e cumpriu mandados de busca e apreensão em quatro estados: Paraíba, São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. As investigações apontam prejuízo estimado em R$ 30 milhões aos cofres públicos.

Segundo a Polícia Federal, a organização criminosa utilizava o sistema oficial do Farmácia Popular para registrar vendas fictícias de medicamentos, que nunca foram entregues aos beneficiários. Com esses lançamentos falsos, o grupo conseguia receber reembolsos indevidos do governo federal, responsável pelo ressarcimento às farmácias credenciadas ao programa.

A apuração teve início após a denúncia de uma cidadã que identificou o uso indevido de seu CPF em uma suposta compra de medicamento vinculada ao programa, sem seu conhecimento ou autorização. O registro irregular teria sido feito por um estabelecimento localizado em Mato Grosso do Sul, o que levou à ampliação das investigações e à identificação de um esquema estruturado com atuação em escala nacional.

De acordo com os investigadores, o grupo adquiria CNPJs de farmácias já cadastradas no Farmácia Popular e transferia a titularidade para pessoas interpostas, conhecidas como “laranjas”. Em seguida, essas empresas eram usadas para alimentar o sistema com registros falsos de vendas, utilizando CPFs reais de terceiros, o que possibilitava o saque ilegal de recursos públicos.

Foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão, autorizados pela 2ª Vara Federal de Dourados, em João Pessoa (PB), Pirangi (SP), Carazinho (RS) e Lagoa Santa (MG). A Justiça também determinou o sequestro de bens, incluindo imóveis avaliados em mais de R$ 8 milhões, ligados a sete empresas e nove pessoas físicas suspeitas de integrar o esquema.

A Receita Federal destacou que atua na análise fiscal, no controle de cadastros e no mapeamento de operações suspeitas, enquanto a CGU contribui com auditorias para identificar inconsistências entre os registros de vendas e a entrega efetiva dos medicamentos.

Criado em 2004, o programa Farmácia Popular oferece medicamentos gratuitos ou com desconto para o tratamento de diversas doenças, como hipertensão, diabetes e asma, além de fraldas geriátricas e absorventes para beneficiárias do programa Dignidade Menstrual. As investigações seguem em andamento, e os envolvidos podem responder nas esferas penal, administrativa e fiscal.

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