Operação da Polícia Civil cumpre 50 mandados de busca e apreensão contra grupo criminoso que combinava tráfico de drogas, milícia e lavagem de dinheiro. Um policial militar é investigado por atuar na proteção dos líderes da organização.
Ana Beatriz Publicado em 19/06/2026, às 12h37
A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou nesta sexta-feira, 19 de junho, uma grande operação contra uma organização criminosa acusada de movimentar mais de R$ 25 milhões por meio de atividades ligadas ao tráfico de drogas, extorsões e lavagem de dinheiro. A ação foi conduzida pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), que investiga a atuação de uma estrutura criminosa caracterizada pelas autoridades como uma narcomilícia.
Ao todo, foram cumpridos 50 mandados de busca e apreensão em diferentes regiões do estado, incluindo a capital fluminense, municípios da Baixada Fluminense e cidades do interior. O objetivo da operação é desarticular a rede financeira da organização, considerada uma das principais responsáveis pela exploração criminosa de áreas sob influência do grupo.
Além das buscas, a Justiça determinou o bloqueio de contas bancárias e o confisco de bens dos investigados. A medida busca interromper o fluxo financeiro utilizado para sustentar as atividades ilícitas da quadrilha e impedir a movimentação de recursos provenientes de extorsões e outros crimes.
Segundo a investigação, o grupo exercia controle territorial por meio da força armada e da intimidação de moradores, comerciantes e empresários. Os criminosos cobravam propinas para permitir a execução de obras públicas e privadas em regiões dominadas pela organização.
As apurações tiveram início após denúncias feitas por diretores de uma empresa terceirizada responsável por obras de infraestrutura urbana e saneamento básico no bairro do Catiri, em Bangu, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. De acordo com os relatos, integrantes da quadrilha exigiam pagamentos periódicos para permitir a continuidade dos serviços.
Os investigadores afirmam que os criminosos utilizavam armamento pesado, ameaças de morte e intimidação constante para obrigar empresários a realizar pagamentos ilegais. A cobrança funcionava como uma espécie de "pedágio criminoso", comum em áreas dominadas por grupos paramilitares.
As investigações também revelaram a participação de um policial militar na estrutura de apoio da organização. Conforme os relatórios da Draco, o agente atuava na segurança privada dos líderes da facção e auxiliava no transporte de valores arrecadados por meio das extorsões.
A presença do policial militar levou a Corregedoria da Polícia Militar a acompanhar o cumprimento dos mandados ao lado das equipes da Polícia Civil. A atuação conjunta busca garantir a apuração de eventuais responsabilidades administrativas e criminais envolvendo agentes públicos.
Além da cobrança de propinas sobre contratos e obras, a organização também é acusada de extorquir comerciantes, prestadores de serviços e moradores das áreas sob seu domínio. Segundo os investigadores, a estrutura criminosa utilizava métodos típicos das milícias tradicionais, mas mantinha vínculos diretos com atividades relacionadas ao tráfico de drogas, ampliando sua capacidade financeira e operacional.
A Polícia Civil agora analisa documentos, equipamentos eletrônicos e materiais apreendidos durante a operação para identificar outros integrantes do esquema, rastrear o destino dos recursos movimentados e aprofundar as investigações sobre a lavagem de dinheiro praticada pelo grupo.
As autoridades não descartam novas fases da operação nos próximos meses, à medida que o material recolhido for periciado e novas conexões financeiras forem identificadas.